Cirurgia Bariátrica e Gravidez

A grande maioria dos pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica é mulher e está no chamado período fértil, e a junção de duas situações clínicas tão díspares – cirurgia bariátrica e gravidez – desperta um turbilhão de dúvidas na mente das mulheres que planejam ter um filho. Afinal, uma cirurgia como a bariátrica mexe com todo o sistema metabólico e o compreensível temor dos efeitos danosos à criança é acentuado graças às inúmeras recomendações e limitações. O que se sabe sobre os efeitos da cirurgia bariátrica na gravidez?

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Gravidez e obesidade

A obesidade é um dos maiores fatores de risco gestacional em uma mulher obesa porque junto com o excesso de peso incluem-se diversos fatores que podem acarretar em riscos fatais para a mãe e para o feto.

  • Mulheres obesas têm o sistema hormonal que regula a sexualidade e a reprodução comprometidos pelo excesso de peso. Algumas chegam a ficar inférteis.
  • Quando engravidam, os picos de insulina, que já não são baixos, aumentam assustadoramente. É o chamado diabetes gestacional, que pode evoluir para diabetes mellitus após a gestação.
  • Os casos de parto prematuro em pacientes obesas são tristemente comuns.
  • O contrário também acontece: gestações que duram mais do que as 40 semanas regulamentares e cujos bebês nascem grandes e com camadas extras de gordura sob a pele.
  • Há o aumento da hipertensão gestacional, perigosíssima porque pode ser indicativo de pré-eclâmpsia, doença que afeta mãe e feto porque atinge a pressão sanguínea e consequentemente os vasos e as artérias, podendo evoluir para episódios de convulsão e óbito.

Um dos principais efeitos da cirurgia bariátrica sobre a mulher é a normalização dos níveis hormonais ligados à reprodução. Contudo, o corpo ainda encontra-se fragilizado com a súbita redução do estômago e alguns cuidados devem ser tomados no que tange à gravidez nesse período.

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Gravidez após a cirurgia bariátrica

Antes, um aviso: nada do que eu disser aqui substitui uma consulta criteriosa com o gastroenterologista que procedeu a cirurgia bariátrica e seu ginecologista. Tudo o que é dito neste blog serve apenas como informação e não é, em hipótese alguma, parte de um diagnóstico.

As pesquisas sobre gravidez após cirurgia bariátrica ainda carecem de um acompanhamento mais efetivo por diversos fatores, porém os poucos artigos que relatam o acompanhamento de mulheres que engravidaram após a gastroplastia são bastante positivos quanto à normalidade das gestações. Embora a gravidez de uma mulher com o estômago reduzido ainda continue entre as chamadas gestações de alto risco, bastam que alguns cuidados sejam inseridos no pré-natal e na puérpera.

  • Recomenda-se, antes de mais nada, o uso de preservativos e métodos contraceptivos por pelo menos 18 meses após a cirurgia bariátrica, justamente o período de maior perda de peso e de adaptação metabólica.
  • A absorção de nutrientes fica comprometida, por isso capriche na suplementação de nutrientes importantes para a gestação, como ácido fólico, cálcio, vitamina A, sulfato ferroso e vitamina B12. Mas faça isso antes da fecundação e sob recomendação médica.
  • Durante a gestação, os níveis de suplementação vitamínica precisam receber um acréscimo, mas sempre, sempre, sempre com orientação médica, para que o excesso de vitaminas não cause nenhum risco ao feto.
  • Os episódios de desconforto abdominal, náuseas e vômitos, já comuns na gravidez de qualquer mulher, tornam-se mais frequentes em uma mulher com o estômago reduzido.
  • Cuidado com a hipoglicemia. A falta de açúcar no sangue pode causar danos ao bebê, por isso nada de longos períodos sem comer.
  • Quando a criança nasce, a perda de peso continua e a suplementação vitamínica também, já que a amamentação exigirá maior aporte de nutrientes. E não, dar de mamar não é contraindicado a uma mulher que fez cirurgia bariátrica.

A gravidez após a cirurgia bariátrica não apresenta nenhum grande desafio além dos normalmente apresentados. Basta que a gestante faça as consultas de pré-natal sem faltar a nenhuma e obedecer às recomendações do ginecologista e obstetra, principalmente quanto à possibilidade de casos de desnutrição por falta de suplementos de vitaminas, o que pode causar sérias complicações ao feto.

Atenção: este texto foi escrito apenas para fins informativos. Este blog não é consultório médico ou farmácia. Consulte seu médico.

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