Por que fumar emagrece?

Os malefícios do fumo são conhecidos, e ficar magra é um deles.

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“Caveira com cigarro aceso”, Vincent van Gogh

Muitas pessoas que abandonam o terrível hábito de fumar, principalmente mulheres, reclamam que ganham peso de forma significativa logo após deixar o vício, e essa característica é usada como muleta para não largar o cigarro.

Embora uma pessoa sensata não veja vantagem alguma em acabar com a saúde em geral apenas para ficar magra, a pergunta permanece: por que fumar emagrece?

A relação entre o fumo e os quilos extras

Uma pessoa que deixa de fumar ganha, em média, 4 quilos a mais. Antes, a principal justificativa para o aumento do peso tinha viés psicológico.

O corpo compensava a falta psicossomática da nicotina pedindo comida, e a vontade de comer (que, como todos sabem, é diferente da fome) traz à tona gorduras e açúcares.

Hoje, graças a extensos estudos neurológicos descobriu-se que a nicotina atinge neurônios que controlam o apetite.

Funciona mais ou menos assim: a nicotina se conecta a um neurotransmissor chamado melanocortina. Essa substância, que normalmente controla a cor da pele (repare no prefixo “melano”, que forma a palavra melanina, o pigmento que torna a pela mais escura em algumas pessoas), age no controle do apetite no cérebro, mais especificamente no hipotálamo.

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Quando os receptores da melanocortina são estimulados, o apetite diminui e consequentemente perde-se peso.

O grande mistério até o advento da pesquisa era saber o mecanismo de ação que faz com que fumar emagreça. É meio complicado, mas basicamente é assim:

  • A melanocortina é estimulada por outro grupo de neurônios, chamados POMC (Pró-ópiomelanocortina), que possui receptores de nicotina. Quando os POMC’s sofrem a ação da nicotina, produzem mais substâncias que agem na melanocortina e suprimem o apetite.
  • Outro grupo de neurônios, com uma sigla ainda mais complicada, AgRP [peptídeo (proteína simples) do gene Agouti], só agem quando não há mais nicotina na corrente sanguínea estimulando os neurônios POMC, aumentando o apetite e consequentemente o peso.

Conclusões

Fumantes tem menos fome porque os neurônios responsáveis pelo estímulo do apetite encontram-se inibidos graças à ação da nicotina. Por isso, quando deixa-se de fumar a fome volta e às vezes de forma intensa.

Essa descoberta fará com que a indústria farmacêutica desenvolva drogas capazes de controlar a recepção de nicotina nos neurônios, eliminando a dependência do cigarro e, por tabela, a obesidade.

Porém, se ao ler esse texto, você achar que o fumo, por manter a fome sob controle, é o menor dos problemas, lembre-se dos outros malefícios do fumo, cientificamente comprovados:

  • Enfisema e câncer pulmonar;
  • Infarto do miocárdio;
  • Acidentes vasculares cerebrais (AVC);
  • Câncer de mama, laringe, bexiga, estômago, pâncreas, pele, fígado.
  • Disfunção erétil;

Ou talvez ser a pessoa mais magra do cemitério seja seu objetivo de vida, nunca se sabe.

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