Sobre o preconceito contra gordos

gordo fita metrica 350x240 Sobre o preconceito contra gordos(O texto abaixo é a visão masculina muito bem embasada do antigo proprietário desse blog. Ele permitiu a republicação dessa – na minha opinião – brilhante dissertação sobre como é ser gordo em uma sociedade bitolada na forma “perfeita”. Obrigado, Janio Sarmento)

A gênese do preconceito

Muito se fala de preconceito, de como a sociedade é injusta, do quanto a busca pelo “corpo perfeito” acaba por gerar repulsa ou mesmo ódio contra os que são mais bem fornidos de gordura corporal, aqueles que preconceituosamente a sociedade tenta rotular com um eufemismo bisonho: “portador de sobrepeso”.

Para começo de conversa, o gordo é o cara que seria o último a arranjar uma namorada (ou um namorado). Todo mundo só quer saber de homens jovens, com barriga de tanquinho, brancos mas queimados de sol (se a pele for toda escura, sem marca de sunga, já era), peitorais definidos, bíceps desenvolvidos e pinto grande.

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Os entraves sociais

Mas essa não é a única manifestação do preconceito contra os gordos:

  • Ninguém quer sentar ao seu lado no ônibus (o que, confesso, até considero uma vantagem, na maior parte das vezes);
  • Ninguém quer ficar perto dele na fila do serve-serve (desde que ouvi este aportuguesamento de “self service” nunca mais consegui deixar de usá-lo);
  • Seus colegas de trabalho não querem ir almoçar “com a baleia”;
  • Não se encontram roupas prontas, pois a indústria acha que só os magérrimos têm dinheiro para se vestir.

Além disso, as pessoas não respeitam, sequer cogitam, a possibilidade de o gordo ser feliz assim. De cada cinco palavras que dizem, quatro são “você tem que emagrecer” e outras cobranças do tipo. Acham que todo gordo é cardíaco e que vai perder as duas pernas numa trombose.

E, claro, dificilmente um gordo ganha carona. As pessoas têm medo que levando um gordo de carona, a suspensão do lado direito vai precisar de reforço.

E para gordo também é difícil arranjar emprego, pois as empresas não querem correr o risco de ter de reforçar algumas cadeiras para que suportem o peso de um funcionário fora do padrão. Não importa muito a competência, pois a obesidade pesa mais — sem trocadilhos.

Vivendo, apesar de tudo

A questão central, na verdade, é que preconceito todo mundo sofre. Resta a cada um saber lidar com isso, e saber que é o único responsável pelo seu próprio corpo. Quem está com excesso de peso normalmente sabe o que fazer para emagrecer, mas precisa escolher fazer isso. Se não o fizer, precisa ter noção de que — ainda assim — está fazendo uma escolha.

Este site site não é farmácia ou consultório médico. Não brinque com sua saúde. Não se automedique. Consulte seu médico, e não confie no que ler na Internet, nem mesmo neste site.

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