Tipos de cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica é, literalmente, o último recurso contra a obesidade. Quando uma pessoa não consegue eliminar o peso excedente por meio de dietas e atividades físicas e entra no perigoso patamar da obesidade mórbida [segundo indicação da Organização Mundial da Saúde, um obeso mórbido tem IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior do que 40], o único meio encontrado para perder peso é diminuir por meio cirúrgico a ingestão e absorção de alimentos. A técnica da cirurgia bariátrica existe desde os anos 1950 e desde então tem sido alvo de constantes aprimoramentos. Eis os tipos de cirurgia bariátrica mais utilizados.

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Cirurgia bariátrica com derivação intestinal

  • É, de longe, a cirurgia bariátrica mais usada no mundo. A imensa maioria das gastroplastias feitas pelo SUS usa a derivação intestinal.
  • Também chamada de Cirurgia de Bypass em Y de Roux, ela une dois tipos de cirurgia bariátrica: a restritiva, que limita drasticamente a quantidade de alimento ingerido, e a dissabsortiva, que faz com que os alimentos não sejam plenamente absorvidos.
  • Nesse método, o estômago sofre um grampeamento, separando-o em duas partes. Uma parte torna-se o estômago a “ser usado” pelo paciente, com capacidade máxima de 30 ml, que se conecta com o intestino.
  • O restante do estômago não é retirado, servindo apenas como produtor de suco gástrico. A ligação entre o resto do estômago e o intestino é feita por uma alça em forma de Y.
  • Entre as principais vantagens deste tipo de cirurgia bariátrica estão a grande perda do excesso de peso e a melhora ou até eliminação das complicações decorrentes da obesidade, como diabetes, apneia e hipertensão.
  • Contudo, a absorção de nutrientes fica comprometida, além de sintomas como náuseas e diarreia decorrentes do consumo de determinados alimentos.

Banda gástrica ajustável

  • Essa cirurgia bariátrica é cem por cento restritiva.
  • Coloca-se um anel de silicone ao redor de estômago, na posição vertical, para diminuir o tamanho de maneira forçada; o estômago utilizável tem capacidade reduzida, ficando com um volume máximo de 30 ml.
  • O alimento entra e causa imediatamente sensação de barriga cheia, pois o anel faz com que o alimento demore mais para passar. A digestão ocorre normalmente mas de forma mais lenta, quase que a conta-gotas.
  • Esse tipo de cirurgia bariátrica fornece a possibilidade de aumento do estômago usado caso necessário. As perdas de peso geralmente são significativas, com média de 50 por cento do excesso sendo eliminado e a reversão é relativamente simples.
  • Há relatos de perda de peso insatisfatórias, além de episódios de náusea e vômito. O anel também pode mudar de lugar graças aos movimentos peristálticos estomacais.

Desvio biliopancreático

  • Essa cirurgia bariátrica é do tipo disabsortiva, que impede a absorção completa do que se come.
  • Existem dois tipos de cirurgia de desvio biliopancreático: a cirurgia de Scopinaro e a derivação duodenal. A base das duas é a redução drástica do estômago e a ligação direta do que restou com o intestino delgado sem que o alimento sofra intervenção da bile, produzida pelo fígado, e dos sucos pancreáticos.
  • Esse desvio causa malabsorção dos nutrientes e da gordura, que são eliminados rapidamente sem serem digeridos através das fezes.
  • Diferentemente dos procedimentos restritivos, não há limite à quantidade de alimentos. Na verdade, no início cria-se a ilusão de que nada aconteceu após a cirurgia bariátrica.
  • O grande problema é a eliminação quase imediata do que não é absorvido, principalmente a gordura o que pode causar constrangimentos. Episódios de desnutrição podem ocorrer caso não sejam seguidas dietas rigorosas e sejam consumidos suplementos vitamínicos.

Balão intragástrico

  • Essa cirurgia bariátrica é transitória, com prazo de aplicação limitado.
  • Um balão de silicone é inserido no estômago através de endoscopia. Ele é inflado com uma solução aquosa composta de soro fisiológico e corante, geralmente azul. Essa cor não é gratuita: se o balão estourar,  a cor da urina e das fezes denuncia o fato.
  • O balão ocupa uma parte importante do estômago, fazendo com que a pessoa permaneça por mais tempo com a sensação de barriga cheia, o que a faz comer menos. Contudo, o ácido clorídrico presente no estômago faz com que o balão intragástrico tenha prazo de validade determinado, que varia entre 4 e 6 meses em média.
  • Não é totalmente restritiva, mas faz comer menos, e não interfere na absorção de nutrientes. São comuns casos de desidratação, pois o balão faz com que se perca muito líquido.
  • Não é coberto pelo SUS e tem severos críticos, graças ao seu uso quase que “estético” por algumas pessoas. Há casos em que pacientes engordam de propósito apenas para se submeter à técnica; geralmente são ex-usuários de anfetaminas que não conseguem mais consumi-las graças à proibição da venda desses fármacos.

A cirurgia bariátrica não é uma brincadeira de emagrecer. Quem se submete a um dos diversos tipos de cirurgia bariátrica realmente precisa e é tratado de forma multidisciplinar. É preciso acompanhamento clínico e psicológico intensos antes e após a intervenção cirúrgica, pois os hábitos alimentares e de vida sofrerão mudanças muito bruscas.

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Atenção: este texto foi escrito apenas para fins informativos. Este blog não é consultório médico ou farmácia. Consulte seu médico.

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