A gordura na alimentação

Por que tratamos a gordura como algo ruim? Por não saber qual é o verdadeiro papel nutricional desse importante integrante da alimentação.

23 de julho de 2014 • Por Mariana, em Alimentos


A gordura costuma ser apontada, direta ou indiretamente, como a principal vilã das dietas. Graças a essa linha de raciocínio, a palavra é sinônimo de obesidade para muitos. Eis aí uma das raízes do preconceito em geral: veicular ideias e associações sem saber de onde elas vieram.

Assim como o carboidrato e a proteína, a gordura é um nutriente essencial à vida como a conhecemos. O problema não é a existência da gordura, e sim o uso que se faz dela. Basta saber o que é, para que serve e como consumi-la e o que antes era tachada como vilã transforma-se apenas em nutriente.

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A gordura como nutriente

Para que esse blog não fique parecendo a Wikipédia, diremos apenas o seguinte: gordura é o nome popular de substâncias criadas por seres vivos chamadas de lipídios, que por sua vez é formado por três ácidos graxos (sim, o nome graxa vem de uma das propriedades da gordura) e uma molécula de glicerol.

Quase todos os alimentos consumidos pelos seres humanos possuem alguma taxa de gordura, em maior, menor ou muito menor quantidade, nunca nula. As funções da gordura são muitas e essenciais. Acompanhe.

  • A gordura participa da formação e integridade das células humanas.
  • A estrutura óssea e muscular também usa a gordura para manutenção.
  • Ela é a principal reserva de energia do corpo. Cada grama de gordura produz 9 calorias.
  • Lipídios mantêm as cartilagens (nariz, orelhas, articulações) íntegras e funcionais.
  • Algumas vitaminas importantes ao metabolismo (A, D, E e K) só são dissolvidas na presença de lipídios. São as chamadas vitaminas lipossolúveis.

Tipos de gordura

Existem dois principais tipos de lipídios e cada um deles causa reações específicas no organismo:

  • Gordura saturada: tem origem animal, principalmente fornecedores de carne vermelha, e de algumas fontes da flora, como o cacau e o coco. Aumenta o colesterol de baixa densidade, o tipo ruim, que causa problemas no sistema circulatório.
  • Gordura insaturada: suas principais fontes são os peixes, óleos vegetais e azeite e frutas oleaginosas (nozes, castanhas, amendoim). São divididas em monoinsaturadas e polinsaturadas e ajudam a formar e manter as células, além de reduzir os níveis de colesterol ruim.

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A gordura como vilã

Desde o início, a gordura apenas cumpre sua função biológica primordial. O grande ponto de mudança do status do lipídio foi quando o ser humano descobriu a hidrogenação.

A hidrogenação é o endurecimento de óleos vegetais para uso industrial, predominantemente na indústria alimentícia. A descoberta desse evento químico resolveu um problema crônico no transporte de comércio de alimentos: a baixa durabilidade. Muitos alimentos industrializados deixaram de se estragar com rapidez graças às gorduras hidrogenadas, que aumentaram o prazo de validade de muitos produtos.

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Os alimentos se tornaram mais resistentes à deterioração e o processo tornou-se comercialmente viável e lucrativo. Contudo, o mundo moderno e sedentário fez com que o consumo energético da população diminuísse graças às facilidades do mundo moderno. Como a gordura não era usada para fornecimento de energia, ela se acumulava sob a pele e nas paredes das artérias. O resto nós já sabemos.

(Não custa repetir o mantra: os parágrafos acima são apenas uma simplificação para fins de entendimento, e não tese, argumentação e conclusão de uma ideia)

Como lidar com a gordura de modo saudável

Retomando o raciocínio do início do texto, a gordura não é má, ela é só gordura. O que pode fazer mal é como nos relacionamos com ela. E não há mistério algum nesse convívio.

Tudo começa com o equilíbrio. Basta gastar mais calorias do que se consome, principalmente gorduras e carboidratos que se transformam em gordura. E não preciso ser uma “maluca contadora de calorias”, bastam bom senso e exercícios físicos.

Ao consumir gorduras (não acredite nos rótulos “zero gordura” de alguns produtos; tudo, absolutamente tudo que é orgânico possui alguma taxa de lipídios), prefira os saudáveis, ricos em ácidos graxos Ômega 3 e 6. Peixes, azeite extravirgem, nozes, castanhas e frutas como abacate e açaí são naturalmente ricos em boas gorduras.

Como dito acima, cada grama de gordura fornece 9 calorias, por isso a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o consumo diário de no máximo 2 gramas por dia.

Quando tiver alguma dúvida, não hesite: consulte um nutricionista.

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