A dieta da mente

A dieta da mente quer eliminar todos os carboidratos do cardápio por considerá-los culpados pelas doenças neurológicas, como o Alzheimer.

Novas dietas tendem a ser polêmicas por diversos motivos, a maioria deles nutricional. A dieta da mente, idealizada e analisada pelo neurologista e nutricionista estadunidense David Perlmutter no livro “A Dieta da Mente: a surpreendente verdade sobre o glúten e os carboidratos — os assassinos silenciosos do seu cérebro” não só polemiza como é tão assustadora quanto seu chamativo subtítulo.

Os princípios da dieta da mente

No livro, o doutor Perlmutter enumera diversos dados e pequisas dele e de terceiros, ligando o consumo frequente de carboidratos e glúten a diversos transtornos de ordem cognitiva e neurológica, além de doenças do sistema digestório, como:

  • Insônia
  • Dores de cabeça crônica e enxaqueca;
  • Epilepsia;
  • Doença celíaca e intolerância ao glúten;
  • Inflamações generalizadas, como a artrite;
  • Depressão;
  • Problemas de concentração;
  • Transtornos de hiperatividade;
  • Doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

David Perlmutter afirma que o Homo sapiens não foi feito para metabolizar corretamente carboidratos e açúcares de quaisquer natureza, inclusive os hoje considerados saudáveis. Esses nutrientes causam diversos episódios inflamatórios que interferem no perfeito funcionamento do sistema nervoso central e, por consequência, nos neurônios e seus neurotransmissores.

Ainda segundo as pesquisas amealhadas por David Perlmutter, nossa dieta atual, que preconiza o consumo regular de carboidratos em uma proporção de 60% das refeições diárias, transformou o mal de Alzheimer “numa espécie de terceiro tipo de diabetes”.

Como seguir a dieta da mente

A solução para a eliminação dessa verdadeira ameaça é, aos olhos do doutor Perlmutter, simples: diminuir sistematicamente o consumo de carboidratos, mesmo os integrais, e voltarmos a nos alimentar como na era Paleolítica, antes da criação da agricultura, quando se consumia cerca de 75% de gordura e 20% de proteína.

Aliada à nova dieta, David Perlmutter prega que se faça jejuns regulares com duração entre 1 e 3 dias e o consumo de suplementos alimentares que auxiliem as funções neurológicas.

Controvérsias

Evidentemente, tamanho alarde em forma de best-seller provocou imediata reação da comunidade médica. As principais críticas dirigem-se ao tom catastrofista do neurologista, demonizando os carboidratos baseado em estudos ainda em processo de conclusão científica. Alguns chegam a comparar o tom apelativo de Perlmutter aos equivalentes estadunidenses dos apresentadores de programas policiais tão conhecidos aqui no Brasil.

Pesquisadores que rebatem as teorias da dieta da mente usam dois argumentos contrários aos enunciados do livro:

  • A dieta do Mediterrâneo, que possui uma vasta gama de carboidratos no cardápio e comprovadamente combate diversas doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e depressão.
  • A impossibilidade de manter uma dieta tão restritiva pelo resto da vida, tanto pela natureza dela quanto pelos ingredientes sugeridos, alguns muito difíceis de ser encontrados em alguns países.
  • O consumo sem restrição de gorduras, inclusive as que causam problemas circulatórios e do coração.

Considerações finais

A escolha de uma dieta é, como gostam de dizer os médicos, de foro íntimo. Cada pessoa possui livre arbítrio para seguir a dieta que acha conveniente, seguindo as regras do bom senso e do cuidado com a saúde.

A dieta da mente é mais uma entre tantas que se utiliza de pesquisas e conceitos que podem vir a ser comprovados, ou não. Se o barulho que ela provocou foi o suficiente para fazer com que você a leve em consideração, lembre-se de sempre expô-la ao seu médico e nutricionista antes de segui-la.

O binômio “dieta balanceada + exercícios físicos” ainda é o mais seguro método dietético conhecido, por isso nunca o abandone, independente da dieta da moda.

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