A dieta emocional

Suas emoções podem ser as principais inimigas das tentativas de manter um estilo de vida saudável. A dieta emocional propõe uma reeducação em hábitos alimentares ancestrais.

26 de março de 2015 • Por Mariana, em Comportamento, Motivação


Quantas vezes não descontamos as frustrações que a vida nos derrama devorando vorazmente uma caixa de bombons ou uma pizza rica em gordura? Ou nos repastamos em verdadeiras orgias gastronômicas à guisa de comemoração ou ladeando um evento alegre?

Na imensa maioria das vezes, a relação emocional com a comida é a principal causa do insucesso das dietas e exercícios que fazemos para emagrecer. Analisar as nuances, digamos, psicossociais do excesso de peso não é tarefa fácil pois teremos que admitir diversos fracassos e descobrir as reais intenções da voracidade alimentar.

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Dieta emocional: herança e frustração

O motivo primordial das dietas desregradas que seguimos tem origem ancestral: as primeiras espécies de  Homo sapiens  lutavam ferozmente para sobreviver: intempéries, predadores e a incerteza alimentar nos dias nômades.

Alie-se a isso a descoberta dos sabores que provocavam satisfação e até mesmo prazer, vindas de fontes que hoje chegam a ser demonizadas: o sal, a gordura e o açúcar.

O prazer desses sabores ficou incrustado no cérebro reptiliano, e são poucos os que conseguem fugir dessa herança.

Como se não bastasse esse legado, há uma ligação muito mais profunda entre a busca por refúgio e prazer e a comida. Quando somos bebês e não conseguimos verbalizar exatamente o que nos aflige, abrimos o berreiros e desandamos a chorar. Pais e mães, não sabendo o que fazer, buscam o refúgio fácil do alimento, seja o peito e o leite materno, seja a papinha.

Inconscientemente, nosso cérebro liga o alívio de frustrações ao alimento. Junte-se isso à dopamina e noradrenalina liberadas quando se consome o que engorda (e é terrivelmente gostoso) e temos uma dieta emocional que seguimos quando se perde ou se conquista algo.

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Dieta emocional versus dieta racional

Primeiro, a má notícia: não é fácil fazer este tipo de auto-análise, pois a comida é a caverna acolhedora nas horas mais difíceis na vida de muitos.

Contudo, toda jornada começa com o proverbial primeiro passo, e por mais que possa ser dolorido passar pelas brasas fumegantes do início, essa travessia não é impossível.

O seu cérebro, que sempre trabalhou contra seus desejos racionais, será seu mais precioso aliado. Acompanhe.

  • Toda vez que você resolver atacar a geladeira ou a despensa, pergunte-se se é fome ou apenas vontade de comer porque aconteceu algo. Ou para ser mais específica, o que irá à sua boca é para nutrir o corpo ou apenas satisfazer a gulodice?
  • Durante as principais refeições, permita-se inspirar seu prato. Desligue o celular, o tablet, sente-se na mesa em um local sem atribulações e permita-se mastigar lentamente o que come. E seja enfática: se alguém quiser interromper, diga “agora não, estou almoçando/jantando/ceando”.
  • Faça um diário anotando tudo o que você consome durante o dia. Analise o que foi realmente necessário à sua subsistência.
  • Lembra-se dos hobbies dos nossos avós, como jardinagem, tricô, leitura e demais atividades manuais? Use-os para ocupar a mente com algo produtivo e afastar os pensamentos alimentares.

Uma dica muito importante: aprenda a se perdoar. Antes de chicotear sua fraqueza ao sucumbir ao quindão ou aos pastéis, aceite que esse comportamento existe, aconteceu e que não adianta procurar culpados. E claro, promova uma atitude positiva e assertiva diante da recaída. A comida não é sua inimiga; basta ter cuidado com o uso que você faz dela.

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