Conselhos sobre alimentação

Por que os conselhos sobre o que comer mudam tanto? Como saber o que é certo diante de tantas informações contraditórias?

Quem acompanha esse blog e outros meios de comunicação que falam, propagam e debatem sobre emagrecer, dietas e qualidade de vida, notou que certos conselhos sobre nutrição são constantemente mudados, e geralmente de forma radical.

O problema é que essas recomendações tornam-se pilares de sustentação da indústria alimentícia por anos, além de nortear diversos nutricionistas. Por que esses conselhos sobre alimentação mudam?

E mais importante, o que fazer quando eles mudam?

Ovo e café, dois exemplos emblemáticos

Quem acompanha as revistas e sites sobre dietas deve ter reparado nas mudanças de status nutricional dos ovos e do café.

Desde o século passado, mais especificamente após a década de 1980, esses dois alimentos foram alvos de pesquisas que ora absolviam, ora condenavam o consumo de ambos.

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O café já foi acusado de acelerar a osteoporose, de causar males estomacais como a úlcera e dependência química, mas há quem defenda que o consumo moderado da bebida evita doenças do coração, diminui o colesterol e até combate o Mal de Parkinson.

Já os ovos entram em uma “balança ciclotímica” digna de qualquer divã de psicanálise. Veja o que já foi falado sobre eles em quatro anos, segundo reportagem da BBC:

  • Em 2010, comer ovos fazia mal, segundo recomendações do DGAC (acrônimo em Inglês para Conselho de Orientação de Dieta Estadunidense).
  • Em 2011, consumi-los fazia bem, já que, segundo o European Journal of Medical Nutrition, os ovos não aumentavam os riscos de doenças cardíacas.
  • Em 2012, eles voltavam a fazer mal, agora de acordo com a revista Artheriosclerosis. Gemas, segundo a publicação, são tão nocivas ao coração quanto o cigarro.
  • Em 2013, voltaram a fazer bem, já que os pesquisadores da British Medical Journal afirmaram que n]ao há evidências entre o consumo de ovos e o aumento de problemas do coração.

Os transtornos e as confusões

Os estudos científicos sobre nutrição são feitos de forma contínua e isso sempre dará margem a diversos resultados aparentemente contraditórios principalmente por causa de métodos de pesquisa, tempo que essa pesquisa teve para ser aferida e comprovada e pressões mercadológicas.

Recentemente, o mesmo DGAC que recomendava moderação no consumo de gorduras saturadas e alimentos ricos em colesterol resolveu abandonar essa recomendação após capitanear diversas pesquisas que não relacionavam mais o consumo desses alimentos ao aumento de câncer de cólon.

Essa nova postura provocou uma reação nada amigável da indústria alimentícia diretamente afetada por essa mudança de postura. Toda uma série de alimentos com baixo teor de gordura e colesterol perderam um bastião de confiabilidade importante, que era a “evidência científica” dos efeitos maléficos desses dois nutrientes.

Por que não há um consenso nem mesmo entre os pesquisadores?

Essa investigação contínua é ao mesmo tempo necessária para o aprimoramento de conceitos previamente descobertos e fonte de confusões e de interpretações por vezes confusas propagandeadas por uma mídia cada vez mais voraz.

Os próprios cientistas confessam que não são bons em comunicar as mudanças para que a população não fique confusa.

A principal dificuldade, ainda segundo a reportagem do portal de notícias britânico, é conseguir o que eles chamam de provas científicas aleatórias controladas.

Um dos empecilhos para que se consiga chegar a isso são os interesses da indústria alimentícia e em como os conselhos sobre alimentação dados por ela podem ser manipulados.

Existem conselhos seguros para alimentação?

A reportagem da BBC chegou a três pequenos e sensatos conselhos que conseguem resumir pontos de vista seguidos pela pequena equipe desse blog desde o início:

  1. Não leve manchetes de jornais e portais de internet a ferro e fogo. Nem todas as “conclusões” apregoadas por esses meios de comunicação são tão conclusivos quanto as letras grandes e o alarde deixam transparecer.
  2. Consulte sempre o SEU nutricionista, o SEU médico, o especialista com qual você se consulta regularmente. Ele conhece seu quadro clínico melhor do que o famoso “sei-lá-quem” da universidade famosa.
  3. Use sempre o equilíbrio. Pense mais no que se come ao invés de focar em alimentos específicos. Usar a boa e velha pirâmide alimentar pode ser mais benéfico do que se imagina.
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