Conselhos sobre alimentação

Por que os conselhos sobre o que comer mudam tanto? Como saber o que é certo diante de tantas informações contraditórias?

04 de maio de 2015 • Por Mariana, em Alimentos, Destaques


Quem acompanha esse blog e outros meios de comunicação que falam, propagam e debatem sobre emagrecer, dietas e qualidade de vida, notou que certos conselhos sobre nutrição são constantemente mudados, e geralmente de forma radical.

O problema é que essas recomendações tornam-se pilares de sustentação da indústria alimentícia por anos, além de nortear diversos nutricionistas. Por que esses conselhos sobre alimentação mudam?

E mais importante, o que fazer quando eles mudam?


Ovo e café, dois exemplos emblemáticos

Quem acompanha as revistas e sites sobre dietas deve ter reparado nas mudanças de status nutricional dos ovos e do café.

Desde o século passado, mais especificamente após a década de 1980, esses dois alimentos foram alvos de pesquisas que ora absolviam, ora condenavam o consumo de ambos.

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O café já foi acusado de acelerar a osteoporose, de causar males estomacais como a úlcera e dependência química, mas há quem defenda que o consumo moderado da bebida evita doenças do coração, diminui o colesterol e até combate o Mal de Parkinson.

Já os ovos entram em uma “balança ciclotímica” digna de qualquer divã de psicanálise. Veja o que já foi falado sobre eles em quatro anos, segundo reportagem da BBC:

  • Em 2010, comer ovos fazia mal, segundo recomendações do DGAC (acrônimo em Inglês para Conselho de Orientação de Dieta Estadunidense).
  • Em 2011, consumi-los fazia bem, já que, segundo o European Journal of Medical Nutrition, os ovos não aumentavam os riscos de doenças cardíacas.
  • Em 2012, eles voltavam a fazer mal, agora de acordo com a revista Artheriosclerosis. Gemas, segundo a publicação, são tão nocivas ao coração quanto o cigarro.
  • Em 2013, voltaram a fazer bem, já que os pesquisadores da British Medical Journal afirmaram que n]ao há evidências entre o consumo de ovos e o aumento de problemas do coração.

## Os transtornos e as confusões

Os estudos científicos sobre nutrição são feitos de forma contínua e isso sempre dará margem a diversos resultados aparentemente contraditórios principalmente por causa de métodos de pesquisa, tempo que essa pesquisa teve para ser aferida e comprovada e pressões mercadológicas.

Recentemente, o mesmo DGAC que recomendava moderação no consumo de gorduras saturadas e alimentos ricos em colesterol resolveu abandonar essa recomendação após capitanear diversas pesquisas que não relacionavam mais o consumo desses alimentos ao aumento de câncer de cólon.

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Essa nova postura provocou uma reação nada amigável da indústria alimentícia diretamente afetada por essa mudança de postura. Toda uma série de alimentos com baixo teor de gordura e colesterol perderam um bastião de confiabilidade importante, que era a “evidência científica” dos efeitos maléficos desses dois nutrientes.

## Por que não há um consenso nem mesmo entre os pesquisadores?

Essa investigação contínua é ao mesmo tempo necessária para o aprimoramento de conceitos previamente descobertos e fonte de confusões e de interpretações por vezes confusas propagandeadas por uma mídia cada vez mais voraz.

Os próprios cientistas confessam que não são bons em comunicar as mudanças para que a população não fique confusa.

A principal dificuldade, ainda segundo a reportagem do portal de notícias britânico, é conseguir o que eles chamam de provas científicas aleatórias controladas.

Um dos empecilhos para que se consiga chegar a isso são os interesses da indústria alimentícia e em como os conselhos sobre alimentação dados por ela podem ser manipulados.


Existem conselhos para alimentação seguros?

A reportagem da BBC chegou a três pequenos e sensatos conselhos que conseguem resumir pontos de vista seguidos pela pequena equipe desse blog desde o início:

  1. Não leve manchetes de jornais e portais de internet a ferro e fogo. Nem todas as “conclusões” apregoadas por esses meios de comunicação são tão conclusivos quanto as letras grandes e o alarde deixam transparecer.
  2. Consulte sempre o SEU nutricionista, o SEU médico, o especialista com qual você se consulta regularmente. Ele conhece seu quadro clínico melhor do que o famoso “sei-lá-quem” da universidade famosa.
  3. Use sempre o equilíbrio. Pense mais no que se come ao invés de focar em alimentos específicos. Usar a boa e velha pirâmide alimentar pode ser mais benéfico do que se imagina.

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