Dieta paleo: prós e contras

Uma das dietas mais comentadas do momento é a chamada dieta paleo, ou dieta do paleolítico. O que ela prega? Ela funciona? Ela tem embasamento médico e científico?

A dieta paleo chega a ser assustadora em seu aparente radicalismo essencial: o ser humano deve ser alimentar apenas de carnes, fontes de proteínas, tubérculos como cará e inhame e frutas.

Os alimentos surgidos após o surgimento da agricultura e pecuária devem ser abolidos e a carga de exercícios deve ser semelhante aos nossos ancestrais na era paleolítica. Ou seja, a pessoa deve agir como quem foge de predadores e procura comida cavando o chão e subindo em árvores.

Será que a dieta paleo funciona? Ela é segura e confiável? Perguntas pertinentes mas nada fáceis de responder.

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Criadores e criaturas da dieta paleo

O núcleo intelectual da dieta paleo veio de um artigo acadêmico publicado em 1985 no prestigiado New England Journal of Medicine pelos médicos Boyd Eaton e Melvin Konner, que defendiam uma alimentação baseada na dura e regrada vida de nossos ancestrais há 10.000 anos antes de Cristo.

Eles propuseram o radicalismo em prol da saúde do ser humano que não conseguiu se adaptar à comida oriunda da agricultura, da pecuária e do posterior processamento de ambos.

No início do século XXI, três pessoas tornaram-se quase “gurus” da dieta paleo: o nutricionista Loren Cordain, o bioquímico Robb Wolf e o biólogo Mark Sisson. Parte do sucesso da recente popularização da dieta foi a flexibilização de alguns preceitos, como a eliminação total do consumo de grãos e fibras.

Hoje, a dieta paleo é um dos regimes com maior adesão entre esportistas e celebridades que precisam mostrar corpos enxutos, como a cantora Miley Cyrus e o ator Mathew McCounaghey.

O que se sabe de concreto sobre a dieta paleo

Qualquer dieta restritiva possui seguidores e detratores, e isso não seria diferente para a dieta paleolítica. O primeiro item de discussão é o aumento considerável no consumo de proteínas. Carnes são liberadas, embora muitos nutricionistas lembrem que carnes vermelhas são ricas em gorduras saturadas.

Há também o perigo do excesso de consumo de proteínas, que pode sobrecarregar os rins e causar acidificação do sangue, que leva à perda de cálcio nos ossos.

Um dos grandes avanços nas pesquisas sobre obesidade nas quais a dieta paleo tem parte da participação foi o fim da demonização da gordura como principal causadora de problemas cardiovasculares se consumida sem critério. Não há uma ligação direta entre o baixo consumo de gordura e os níveis de colesterol de um adulto saudável, segundo investigações feitas.

Um dos pontos que muitos profissionais de saúde considera positivo é a eliminação de alimentos refinados e processados da dieta paleo. Açúcares, embutidos e grãos refinados são abolidos do regime, e isso pode ser bom para quem precisa controlar os níveis de insulina, o hormônio ligado ao acúmulo de gordura e ao diabetes.

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Nem tudo são flores na dieta paleo

A principal crítica à dieta paleo é a quase eliminação de carboidratos. Embora as variedades simples e refinadas sejam combatidas por todos os nutricionistas, o regime paleolítico também condena ao limbo grãos e cereais fontes de fibras.

Médicos reforçam os benefícios das fibras nas dietas saudáveis, tanto no auxílio ao emagrecimento quanto no combate ao câncer do aparelho digestório. As fibras também ajudam a regular os níveis de insulina no sangue.

Outro ponto controverso é o jejum voluntário. Um dos artífices da nova dieta paleo, Mark Sisson, prega a abstinência alimentar para que o corpo potencialize os efeitos do regime. Nenhum nutricionista aprova longos períodos sem se alimentar graças aos seus efeitos colaterais, como:

  • Hipoglicemia;
  • Perda de concentração;
  • Enfraquecimento da massa muscular;
  • Aumento de toxinas na corrente sanguínea.

Darren Curnoe escreveu uma coluna no blog IFLS (I fucking love science) questionando um dos principais pilares da dieta paleo: a incapacidade de adaptação do homem moderno aos alimentos modernos. Segundo Curnoe, negar a capacidade de evolução do Homo sapiens é jogar toda a teoria da evolução de Darwin no lixo.

De acordo com os estetas da dieta paleo, o ser humano moderno não consegue absorver certos nutrientes graças à carga genética herdada dos nossos ancestrais paleolíticos. Curnoe questiona essa afirmação dizendo que o ser humano conseguiu, nesses milhares de anos, desenvolver enzimas que podem, sim, metabolizar alimentos que antes não faziam parte da restrita dieta dos homens das cavernas.

Considerações finais

Como deu para notar, a dieta paleo está longe de ser uma unanimidade. Há evidentes casos de sucesso e não se pode negá-los. Contudo, há uma enorme tendência à individualidade ligada ao regime paleolítico.

Assim como há quem defenda com unhas e dentes a dieta paleo (alguns chegando às raias da catequização religiosa), existem casos em que o regime foi apenas para a lista dos que não deram certo.

Como em qualquer dieta, a recomendação é sempre a mesma: não a siga sem acompanhamento médico e nutricional adequados. Seja responsável pela sua saúde.

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