Emagrecer com a força do pensamento

A memória pode nos ajudar a emagrecer. O pensamento no que comemos pode fazer com que não sintamos aquela fome fora de hora. Leia e entenda.

24 de fevereiro de 2015 • Por Mariana, em Comportamento, Destaques


Lembrar conscientemente do que comemos pode ser a chave para controlarmos o principal entrave em qualquer dieta: o apetite. Mais do que simplesmente emagrecer com a força do pensamento, um pesquisador inglês crê que tanto o estômago quanto a mente delineiam a nossa fome, e que a memória do que comemos pode ser decisiva para que possamos controlar essa vontade.

Parece uma formula mágica, mas é ciência em seu estado bruto, feito com pesquisas e experimentos. Acompanhe.

Food for thought


Lembrar do que comeu para esquecer a fome

Eric Robinson é um pesquisador da Universidade de Liverpool (Reino Unido) e durante suas pesquisas sobre a chamada amnésia anterógrada (tipo que faz as pessoas esquecerem fatos recentes. Lembra da Dory de “Procurando Nemo”?), relacionou isso à tendência que algumas dessas pessoas tem em comer mais, mesmo após uma lauta refeição.

Um estudo feito com voluntários na Universidade de Oxford ofereceu a eles bandejas com comida e pediu para que que comessem até se sentirem saciados. As bandejas eram retiradas vazias após a refeição e 15 minutos depois elas voltavam com comida.

As pessoas saudáveis recusavam a segunda rodada de alimentos por estarem satisfeitas. Já quem sofria desse distúrbio cognitivo repetiam a refeição porque já tinham se esquecido de terem comido15 minutos antes.

Em outra parte da pesquisa, eram oferecidos alimentos doces e salgados a pessoas sem nenhum problema de memória. Na segunda rodada, a pessoa sempre comia um alimento com sabor diferente da refeição anterior (se a pessoa comia algo doce, depois comia algo salgado, por exemplo).

Essa parte da pesquisa mostrou que a memória da refeição não se formava completamente, e que as diferenças de sabor não interferem nas funções cognitivas do cérebro, fazendo com que a fome continue.


Mas e o cérebro que mantém a memória?

Eis o grande pulo do gato das reminiscências: o cérebro pode ser enganado por diversos fatores sensoriais, e muitos deles são usados até hoje pela indústria alimentícia. Um teste feito na Universidade de Bristol (Reino Unido) mostrou isso.

carregando…

Um grupo de pessoas se voluntariou à pesquisa e a eles foi oferecida um prato de sopa. Em alguns desses pratos foi acoplado um tubo que os voluntários não conseguiam ver; por eles os pesquisadores colocavam ou tiravam mais sopa sem que se percebesse.

Mais tarde, quando um lanche foi servido, as pessoas se serviam dele de acordo com as lembranças que elas tinham do seu prato de sopa: se havia muito ou pouco caldo no início. O problema é que essas memórias foram manipuladas pelos tubos que colocavam ou tiravam sopa.


Conclusões

Eric Robinson não foi leviano em formular ideias sobre o poder da mente sobre o emagrecimento, mas ele conseguiu chegar em alguns pontos interessantes:

  • A fome é basicamente formada pelo estômago (mais especificamente pelo seu esvaziamento), mas a percepção do cérebro quanto à intensidade dela é tão importante quanto o alerta físico.
  • A memória pode ser um aliado importante para que se coma o suficiente e para que haja saciedade.
  • É possível educar a mente para que ela ative a memória das refeições feitas sem que haja distinção entre os diferentes paladares (por exemplo, achar que a fome só irá embora se comermos algo doce após o almoço).
  • Se eliminarmos as distrações comuns durante as refeições (o telefone conectado no WhatsApp, a tevê ligada no programa da Fátima Bernardes…), poderemos ativar a cognição e prestar mais atenção no que nos alimenta.

Robinson está efetuando estudos para melhorar o que ele chama de memória sensorial da comida. São pesquisas ainda embrionárias, mas importantes para que haja evidências cada vez mais claras sobre o papel do cérebro em nossa dieta.

Como todo pesquisador sério, ele ressalta que é preciso que se façam testes clínicos amplos para que haja provas da eficiência dos truques de memória para emagrecer. Até lá, seja responsável pela sua saúde.

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