Emagrecimento e estresse

Uma das causas da obesidade menos levadas em consideração é o estresse. Descubra aqui a relação íntima e entre estresse e perda e ganho de peso e como agir para não sofrer com isso.

05 de março de 2014 • Por Mariana, em Comportamento


Quando muitas pessoas vêem alguém acima do peso – e isso é um comportamento inato ao ser humano – , a primeira atitude é formular um pré-julgamento que pode ser resumido em uma frase clássica: “fulano engordou porque comeu demais”.

A partir dessa premissa, prescrevem-se dietas, na maioria das vezes muito restritivas, e sessões de exercícios sem a devida avaliação física. O problema é que ninguém faz a pergunta certa nesse primeiro momento: por que essa pessoa come demais?

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Um dos fatores que levam a essa compulsão é o estresse, a tristemente famosa reação hormonal às sensações de medo, perigo e ameaças físicas e psicológicas.

Desde o início do século XXI, a liberação dos hormônios que causam o chamado “mal do homem moderno” são estudadas, a as conclusões das pesquisas confirmam a ligação íntima entre estresse, emagrecimento e obesidade.


Os hormônios do estresse

Quando estimulados pela tensão que causam o estresse, as glândulas suprarrenais (são chamadas assim porque ficam acima dos rins) produzem hormônios que deixam o organismo em “estado de alerta contra o perigo”. São eles:

  • Cortisol – Aumenta a pressão arterial e os níveis de açúcar no sangue, preparando o corpo para reagir contra a “ameaça” alertada pelo estresse.
  • Adrenalina – Acelera os batimentos cardíacos e promove a contração e dilatação de feixes de músculos específicos para a fuga ou reação física.


A relação entre estresse e emagrecimento

Sabia-se que o uso de remédios à base de cortisol sintético favorecem o ganho de peso desde meados do século XX. Contudo, estudos formulados na Universidade de Göterborg, na Suécia mostraram a relação entre as taxas de cortisol em pessoas durante situações de estresse em ambiente de trabalho. Os pesquisados foram divididos em três grupos:

  1. No primeiro grupo, as taxas de cortisol aumentavam mas logo voltavam ao normal. Eram pessoas magras e com taxas de colesterol e açúcar no sangue normais.
  2. No segundo grupo, os níveis de cortisol demoravam um pouco mais para voltar ao normal. As pessoas já mostravam alterações glicêmicas e lipídicas significativas, além de obesidade aumentada.
  3. No terceiro grupo, o cortisol manteve-se em taxas altas e sem sinais de recuo. Os problemas com pressão alta, níveis de colesterol e diabetes aumentavam, juntamente com o peso desse grupo de pessoas.

Para complementar o estudo, um grupo de endocrinologistas brasileiro verificou que as glândulas suprarrenais aumentaram de tamanho nos dois últimos grupos. Graças a esse aumento, a gordura produzida pelo cortisol concentra-se na região abdominal.

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Principais conclusões

O cortisol e a adrenalina aumentam a carga de açúcar, gorduras e proteínas no sangue e tecidos por considerarem o estresse um aviso de ameaça à integridade, e essa reação metabólica pode ser uma espécie de gatilho para a obesidade. Acompanhe.

  • Como as glândulas supra-renais aumentam de tamanho, a gordura visceral também sofre um acréscimo. Esse tipo de gordura é particularmente nociva à saúde, causadora de diabetes e problemas do coração.
  • O estresse pode desencadear picos de fome causados principalmente pela ansiedade, já que a adrenalina em excesso prejudica a síntese de serotonina, o hormônio do bem estar.
  • Por conta dos efeitos da adrenalina, eventos estressantes podem levar à depressão, que antes de mais nada é uma “desistência” do sistema hormonal, que se recusa a funcionar normalmente.

Além do aumento de peso, todos os problemas relacionados como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, também podem ser atribuídos ao estresse e sua consequente produção dos hormônios da glândula supra-renal.


Sugestões de tratamento

Antes de mais nada, não se deve simplificar um problema complexo e multi-fatorial como a obesidade ao desarranjo hormonal causado pelo estresse. Como foi dito, o aporte exagerado de cortisol e adrenalina no sangue é um fator que desencadeia uma série de eventos. O que realmente engorda é o excesso de consumo aliado ao baixo consumo de calorias causado pelo sedentarismo.

Em primeiro lugar, quem diagnostica o estresse é o médico, sempre. A eliminação dos fatores estressantes precisa ser feito com o devido acompanhamento. Técnicas de relaxamento, exercícios leves e o eventual uso de fármacos devidamente prescritos devem fazer parte do tratamento, mas isso não elimina as boas práticas alimentares e o fim do sedentarismo.

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