Gordura e açúcar: mudanças nos rótulos trocam os “demônios” da dieta

O açúcar é o mais novo vilão das dietas, segundo novos estudos feitos nos EUA. O culpado pela obesidade foi encontrado, finalmente?

Desde que esse blog foi criado, uma palavra permeou os textos aqui escritos, explicita ou implicitamente: equilíbrio. Mesmo quando nos debruçávamos sobre as dietas da moda, tomamos o cuidado para não pularmos aos extremos da opinião, exortando o milagre ou satanizando um prato ou nutriente.

Infelizmente, esse cuidado não é tomado sequer por órgãos governamentais que, em tese, deveriam estudar profundamente o objeto de suas secretarias. Acompanhe.

EUA elegem o açúcar como “novo inimigo” da dieta

A primeira-dama estadunidense, Michelle Obama, notória graças à sua luta pela alimentação saudável, propôs ao FDA (Food and Drug Administration, cujo equivalente brasileiro é a ANVISA) a mudança no destaque dos rótulos de informação.

Segundo reportagem e apuração da BBC, a gordura, antiga vilã das dietas, deixa de ser tão perigosa, chegando a ser “aceitável” em alguns casos. Em seu lugar, entra o açúcar, o novo demônio alimentar do século XXI.

Por que o açúcar é o novo vilão?

Quando as primeiras políticas publicas contra a obesidade foram criadas em meados da década de 1980,  os profissionais de saúde decidiram centralizar os esforços contra a gordura, vista como principal responsável pelo excesso de calorias na alimentação.

Embora o excesso de gorduras fosse um dos vetores da obesidade, o foco quase exclusivo nelas fez com que o equilíbrio entre os macronutrientes fosse esquecido. Tanto, que logo após a demonização dos lipídios, veio a caça aos carboidratos, os “inimigos da vez” durante os anos 1990 e 2000.

Agora, uma nova leva de pesquisas afirma que o perigo não estão nos nutrientes, e sim no consumo de calorias. E o principal responsável pelo aumento de calorias em uma refeição é o açúcar.

O passo a passo da substituição

O açúcar não passou de mocinho a bandido de uma hora para outra. Os responsáveis foram a atenção demasiada à gordura como vilã e a indústria alimentícia.

Quando os médicos elegeram a gordura como o principal antagonista, os fabricantes de alimentos tiveram que mudar drasticamente sua cadeia de produção, substituindo os lipídios usados para conservar, dar sabor, cor e aroma por outro ingrediente tão eficiente e barato quanto.

Foi aí que o açúcar entrou. Os níveis de gordura dos alimentos processados diminuiu consideravelmente, e alguns conseguiram eliminar a versão trans, a mais danosa às artérias. Para compensar, aumentaram as taxas de açúcar para manter os prazos de validade e o sabor.

Hoje, ainda segundo a reportagem da BBC, 70 por cento dos estadunidenses consomem mais açúcar do que o nutricionalmente recomendado, ou seja, 10 por cento das calorias consumidas por dia.

Afinal, a culpa da obesidade é de quem?

Segundo nutricionistas, a demonização de determinados macronutrientes é um erro. Uma refeição saudável precisa conter, nas medidas certas, carboidratos, proteínas e gorduras. O foco deveria ser o consumo excessivo de calorias como um todo, e não dizer que a gordura ou o açúcar são os principais responsáveis.

O acréscimo proposital desses ingredientes é que é o problema, no frigir dos ovos. É preciso evitar o excesso de consumo de qualquer ingrediente, buscando sempre o equilíbrio e combinando isso com atividades físicas adequadas ao consumo calórico.

Um dos entrevistados pela BBC foi o autor do livro “Best things you can eat” (inédito no Brasil), David Grotto, alerta que as pessoas devem atentar para duas coisas ao consumir produtos industrializados: o valor total e a qualidade de calorias contidas.

Para finalizar, segue uma declaração de Grotto para que os leitores reflitam: “É uma atitude míope olhar apenas para um ingrediente, mas (…) nós adoramos demonizar algo. O açúcar se transformou na nova gordura”.

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