Como incluir o refrigerante na alimentação saudável

Estudos capitaneados pela Associação Brasileira de Nutrologia afirmam que é possível conviver com o refrigerante em uma dieta saudável. Saiba como.

São poucas as unanimidades no mundo das dietas, e uma delas é a crucificação do refrigerante como o inimigo a ser combatido em um cardápio saudável.O problema é que três séculos de disseminação e popularização transformaram o comércio de bebidas gaseificadas em um negócio milionário.

Contudo, desde que o ex-prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, idealizou uma campanha contra hábitos alimentares nocivos e colocou na berlinda os refrigerantes e suas porções cada vez maiores, a discussão voltou à tona: qual o verdadeiro peso dos refrigerantes nos males que levam à obesidade?

Como se não bastassem as imensas polêmicas envolvendo o consumo de refrigerantes, o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia resolveu colocar seu balde de carvão na caldeira das “verdades dietéticas”. Segundo Durval Ribas Filho, é possível incluir o refrigerante em um estilo de vida saudável.

Breve história dos refrigerantes

A ironia é que a gênese do refrigerante se deu em ambientes farmacêuticos, com o nobre intuito de eliminar desconfortos intestinais.

Tudo começou em 1772, com a criação de uma bomba que incluía gás carbônico na água. O invento de Joseph Priestley e Antoine Lavoisier emulava o que se fazia na Bélgica (não por acaso, o país que produz as melhores cervejas do mundo).

Dez anos depois, em 1782, um farmacêutico americano, Thomas Henry, conseguiu produzir água gaseificada de forma industrial.

No século XVIII, a venda das bebidas gasosas com fins terapêuticos nas farmácias era garantia de sucesso, o que fez com que os outrora nobres farmacêuticos vissem nisso uma excelente oportunidade de negócio.

Charles Alderton, criador do refrigerante Dr Pepper

Incrementaram os sabores do xarope carbonatado com misturas secretas e exclusivas. O primeiro a criar um mix de enorme sucesso foi Charles Alderton, com seu Dr. Pepper.

O segundo farmacêutico visionário foi John Pemberton, que antes comercializava uma mistura de noz de cola e cocaína com fins revigorantes. Com a descoberta dos efeitos deletérios da hoje droga ilegal, a cocaína foi retirada da fórmula e sua mistura “secreta” tornou-se a Coca-Cola. Já ouviu falar?

O terceiro profissional especializado em farmacologia a usar a bebida gaseificada para enriquecer foi o senhor Caleb Davis Bradham, que desenvolveu um xarope gaseificado para combater azia e má digestão, usando na mistura noz de cola, especiarias e pepsina, uma enzima digestiva que deu nome à bebida: Pepsi-Cola.

Os refrigerantes hoje

O faturamento da indústria de refrigerantes é astronômico, passando fácil a casa do bilhão. As campanhas de marketing são as mais agressivas entre todos os setores da economia (quem cresceu entre os anos 1980 e 1990 foi testemunha ocular da “guerra das colas”).

O dinheiro, por muito tempo, ocultou um problema crucial nas “inofensivas” bebidas gaseificadas: a quantidade de açúcar nos refrigerantes.

Quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) começou a se debruçar sobre as chamadas enfermidades crônicas, elegeu a diabetes como um dos males a ser combatidos, graças principalmente ao alto consumo de açúcar refinado no mundo.

Não demorou para que as quantidades de açúcar nos refrigerantes fosse colocada como exemplo negativo. Observe:

  • Uma porção de 600ml de refrigerante de cola contém 100 gramas de açúcar, ou cerca de 16 sachês de 6g.
  • A mesma porção de refrigerante com sabor cítrico – laranja ou limão – tem 120 gramas, ou cerca de 20 sachês.
  • As chamadas tubaínas, os refrigerantes populares, tem em média 130 gramas de açúcar.

Mas o refrigerante não é o vilão das dietas?

Nada vai mudar o fato do refrigerante ser fonte de calorias vazias e possuir quantidades obscenas de açúcar. Contudo, Ribas Filho atenta para algumas peculiaridades que passam desapercebidos aos olhos de quem prega a alimentação saudável com fanatismo.

Primeiro, atentemos para o que é o refrigerante: uma mistura de água carbonatada, açúcar e corantes diversos. Consumido durante décadas, ele é apenas uma bebida com sabor e adocicada, e manteve-se assim durante todo o século XX.

Os corantes, edulcorantes e demais aditivos presentes nos refrigerantes vez por outra são acusados de serem cancerígenos. Para que esses produtos façam mal á saúde, seria necessário o consumo de pelo menos 3 mil latas de refrigerantes POR DIA, o que torna a bebida um vetor de doenças tumorais virtualmente inexistente.

Então, qual é o problema?

É tão óbvio que ninguém reparou. Antes, o consumo de refrigerantes restringia-se a momentos festivos específicos e aos finais de semana. Hoje toma-se a bebida gaseificada todos os dias, com todas as refeições, sob quaisquer circunstâncias.

Some-se a isso as porções jumbo ou grandes das redes de lanchonetes e a popularização das garrafas de 2 e 3 litros descartáveis e eis a criação e o fomento de uma indústria bilionária e sedenta, literal e figurativamente.

Existe uma solução?

O consumo diário recomendado de açúcar é de 200 calorias. Essa quantidade não provoca sobrecarga na produção de insulina, que quando descompensada transforma o açúcar em gordura e pode não dar conta de metabolizar o excesso, provocando a diabetes. Um refrigerante de 600 ml extrapola a porção diária de açúcar sem esforço.

Não são todos que conseguem simplesmente abandonar os refrigerantes, o que seria perfeito nutricionalmente falando mas impraticável na vida real para a maioria dos mortais.

Ribas Filho é defensor do consumo moderado de refrigerantes, como antigamente, Segundo sua linha de raciocínio, ao invés de lutar contra um produto com o qual os seres humanos convivem há quatro gerações, devemos aceitar sua existência e consumi-lo baseando-se em programa de reeducação alimentar viável.

Mais uma vez, o velho axioma de Paracelso mostra que continua atual: a diferença entre remédio e veneno está na dose. Conviver com o refrigerante de forma salutar, sem ignorá-lo nem demonizá-lo é o segredo do equilíbrio.

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