Jejum: mitos e verdades

Durante muito tempo, o jejum foi apregoado como a segredo das dietas de sucesso. O que existe de verdade e de saudável em privar-se voluntariamente de alimentos por tempo determinado?

21 de agosto de 2014 • Por Mariana, em Comportamento, Dicas e Dietas


O jejum é um ato ritualístico ligado a diversas religiões que exemplifica a busca pela pureza do corpo e do espírito. Essa ideia foi, durante algum tempo, transportada para alguns ramos da nutrição como sinônimo de emagrecimento rápido. Como poucos têm a capacidade de verificar a veracidade de certos preceitos, acreditou-se por muito tempo nessa máxima.

O tempo e a inevitável evolução da medicina e da fisiologia fizeram muitos desses supostos dogmas caírem por terra, mas corroboraram para a confirmação de alguns perigos no jejum sem controle. Acompanhe abaixo alguns mitos e verdades sobre o jejum que todas deveriam saber.

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O jejum desintoxica o organismo

Esse mito veio atrás de outro, muito difundido durante o final do século passado, que afirmava categoricamente a dificuldade que nosso organismo tem em digerir carne vermelha.

Assim como há quem tenha intolerância à lactose, há quem sofra de intolerância à proteína animal, e a elas só resta suprimir o consumo dos alimentos que causam desconforto. O ser humano onívoro possui um tempo médio de digestão de três horas, que é o período máximo de jejum aceitável enquanto estamos acordados.

Fazer exercícios em jejum emagrece mais

Quando o corpo não está devidamente alimentado durante o exercício, ele deixa de receber glicose, entrando em estado de hipoglicemia. Para que o metabolismo não entre em colapso, o organismo começa a consumir proteínas.

Como essa é uma situação emergencial, a proteína é extraída da fonte mais fácil: os músculos, a chamada massa magra. Com isso, os músculos ficam fracos, a velocidade do metabolismo diminui e o rendimento da atividade física fica comprometido.

O jejum é o segredo do sucesso das dietas

Existem muitas dietas famosas que são restritivas, proibindo um ou vários nutrientes , principalmente carboidratos e proteínas. Embora muitas celebridades se utilizem desse artifício e atribuam à dieta a eliminação dos quilos extras, isso não significa que essa pessoa passou uma temporada em jejum.

Pessoas famosas cercam-se de nutricionistas, personal trainers, endocrinologistas e demais especialistas para alcançar o corpo tão desejado. E há um consenso tácito entre eles: não há alimentos proibidos. É preciso tomar cuidado com a quantidade de alguns deles no cardápio.

Pode-se pular o café da manhã e só se alimentar no almoço

Por mais que soe como slogan de cereal matinal, a verdade é que o café da manhã é a principal refeição do dia. É só usar a lógica: durante o sono, entramos em um período de jejum obrigatório para que os hormônios entrem em equilíbrio e o corpo descanse.

Ao acordarmos, saímos de um período de jejum longo (entre 4 e 8 horas), onde o organismo está sem provisões de nutrientes suficientes. Essa ausência causa diversos sintomas desagradáveis:

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  • Lentidão de raciocínio;
  • Movimentos musculares lentos e às vezes dolorosos;
  • Dores de cabeça;
  • Tonturas e enjoos;
  • Desmaios.

Alguns quadros infecciosos sorrateiros podem aparecer graças à essa momentânea fraqueza metabólica. Não à toa, o café da manhã em países de língua inglesa é chamado de breakfast (literalmente, quebra ou interrupção de jejum).

Considerações finais

O jejum proposital enquanto acordados não é recomendável. nem recomendado por nenhum profissional sério. Até mesmo a halitose ( o temido mau hálito) tem como responsável direto o jejum, já que a acidez excessiva no sangue que decorre da falta de carboidratos causa o famoso “bafo-de-onça”.

Para quem não sofre de hipoglicemia, bastam três horas entre as refeições para que o alimento seja devidamente digerido. Durante esse período, beba bastante água.

Nunca, em hipótese alguma, pule o café da manhã. Se não gosta do bom e velho pão com manteiga com café e leite, coma uma fruta, um cereal ou qualquer fonte de carboidrato e proteína, que pode vir de queijos.

Nunca faça exercícios em jejum. Consuma carboidratos preferencialmente antes e proteínas depois das atividades.

Não exagere no jantar. Como já foi comprovado, prefira um bom prato de sopa de macarrão, que ajuda a dormir. Evite gorduras e sal.

E o mais importante: sempre consulte seu médico antes de pensar em fazer do jejum um modo de vida.

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