Lipoaspiração e outros tratamentos estéticos

16 de setembro de 2017 • Por Mariana, em Comportamento, Dicas e Dietas, Fitness, Medicamentos


Nem sempre uma pessoa precisa emagrecer por motivos de saúde. As razões podem ser puramente plásticas e quem deseja ter um corpo literalmente esculpido apoia-se em tratamentos estéticos, alguns deles cirúrgicos. Diferentemente da cirurgia bariátrica, contudo, onde o principal objetivo é eliminar a obesidade mórbida e as doenças crônicas associadas a ela, os procedimentos estéticos têm por objetivo dar ao corpo uma forma que agrade às pretensões de beleza que cada pessoa impõe a si mesma (não iremos nos aprofundar em questões sociológicas e antropológicas sobre o tema, mesmo porquê o escopo desse blog não é esse, muito pelo contrário). O mercado de beleza e estética é um dos que mais cresce no Brasil e no mundo. Mesmo com a crise, o Brasil ainda ocupa o terceiro lugar mundial em cirurgias plásticas e demais procedimentos cirúrgicos e dermatológicos de embelezamento.

A lipoaspiração e seus procedimentos derivados são, de longe, as cirurgias plásticas estéticas mais feitas no país. Fruto do desejo de modelar partes do corpo que algumas pessoas consideram desproporcionais ou imperfeitas, a lipoaspiração retira camadas superficiais e subcutâneas de gordura em locais onde esse acúmulo não é bem vindo em termos estéticos. Esse texto buscará explicar, em uma linguagem direta e simples, os principais métodos cirúrgicos ou dermatológicos ou mesmo puramente estéticos de tonificação e modelagem do corpo. E a primeira pergunta a ser respondida é a mais frequente.

A lipoaspiração emagrece?

Se a intenção da pessoa é emagrecer utilizando-se desse tipo de cirurgia, esqueça. A lipoaspiração não é um tratamento contra o sobrepeso e a obesidade; o escopo do procedimento é modelar partes do corpo que estejam em desarmonia estética com o restante do corpo. Nenhum profissional sério irá prometer emagrecimento através da lipoaspiração, da lipoescultura, da hidrolipólise ou quaisquer outros métodos de retirada de gordura semelhantes.

O que é lipoaspiração?

É uma cirurgia onde a gordura é aspirada do corpo através de cânulas, pequenos tubos flexíveis, que sugam a gordura localizada. Como já dito anteriormente, a lipoaspiração não é um tratamento para emagrecer; ele irá retirar através da sucção os depósitos de gordura em diversas partes do corpo onde o excesso precise ser eliminado seja por questões de falta de proporção corporal, seja por questões de beleza. Por segurança do paciente, deve-se retirar até o máximo de 5% do peso corporal durante o procedimento.

Quais as diferenças entre a lipoaspiração e a lipoescultura?

Na lipoaspiração, retira-se a gordura localizada para ajustar o contorno do corpo em determinadas áreas afetadas pelo excesso desse nutriente. É um procedimento cirúrgico e por isso precisa ser feita em hospitais com um profissional especialista em cirurgia geral e plástica credenciado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A título de informação, um cirurgião plástico precisa ter dois anos de treinamento em cirurgia geral, mais três anos de estudo em cirurgia plástica, além de prestar uma prova de admissão na SBCP. A gordura é retirada das partes onde ela está acumulada e costuma ser mesurada em litros, não em quilos.

Já a lipoescultura também retira a gordura localizada por sucção, mas a enxerta em outras partes do corpo da própria paciente. O objetivo primordial do método é estético, mais até do que a lipoaspiração. Os contornos de certas partes do corpo são ajustados por preenchimento; uma das partes mais sujeitas á cirurgia são as nádegas. O procedimento também precisa ser feito em ambiente hospitalar e sob supervisão de um cirurgião plástico credenciado pela SBCP.

Como é feita a lipoaspiração?

(Um adendo: o texto a seguir, assim como todos os demais desse blog, é uma versão simplificada e leiga para fins de entendimento. Caso haja quaisquer incoerências notadas por profissionais que venham a ler essas linhas, basta nos avisar que as correções serão feitas.)

O primeiro passo é a rotina pré-operatória, que poderá incluir análise pré-anestésica, exames de radiografia (raio-x), de sangue (coagulograma e/ou tempo de protrombina), eletrocardiograma e quaisquer outros que o cirurgião determinar. Cada caso é um caso e as orientações antes da intervenção cirúrgica devem ser obedecidas á risca. Antes da operação, deve-se fazer um jejum de oito horas

A cirurgia em si envolve a infiltração de uma solução composta por soro fisiológico, adrenalina, bicarbonato de sódio e lidocaína chamada de solução intumescente de Klein. Como o nome sugere, o composto líquido incha a pele para facilitar a introdução das cânulas, além de prevenir o sangramento e a obstrução de artérias pela gordura (embolia gordurosa). A anestesia pode ser geral, local ou peridural (introduzida aos poucos através de um cateter introduzido nas costas) e será decidida pela equipe cirúrgica, sempre.

Após a infiltração da solução de Klein e da anestesia, as cânulas são introduzidas na pele até chegarem ao tecido adiposo, chamado comumente por nós de gordura. Graças à ação do composto líquido, a camada gordurosa torna-se mais “liquefeita” e pode ser aspirada a vácuo pelos pequenos canos. A lipoaspiração é um procedimento cirúrgico e por isso, precisa ser realizado por um cirurgião plástico treinado e dentro de ambiente hospitalar.

Quem pode fazer a lipoaspiração?

Pessoas com gorduras localizadas que não conseguem ser eliminadas com exercícios ou dietas, maiores de 18 anos e saudáveis. Lembrando que a lipoaspiração não é um tratamento para obesidade; é um modelador, um escultor, que irá retirar o excesso de gordura nas partes do corpo onde esse excesso é esteticamente indesejado pelo paciente. E falando nisso…

Quais são as partes do corpo que podem ser sujeitas à lipoaspiração?

Tecnicamente, quaisquer regiões do corpo onde haja gordura localizada. As mais procuradas são o abdome, as coxas, a papada, os braços, as nádegas e a lateral das mamas.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Não há um prazo mandatório para a duração, mas recomenda-se, a título de segurança, um prazo de até quatro horas por paciente. Nessas quatro horas devem-se aspirar todas as áreas possíveis e acordadas.

Quais as contraindicações?

Pessoas hipertensas, diabéticas e obesas possuem um nível de risco maior. Profissionais sérios pedem para que os pacientes que sofram desses males controlem esses vetores antes de submeter à lipoaspiração, assim como em quaisquer cirurgias. Cirurgias estéticas não são, nem de longe, prioridades médicas; por isso, cirurgiões plásticos renomados podem simplesmente se recusar a fazer o procedimento cirúrgico caso esses riscos primordiais não sejam eliminados.

A lipoaspiração é a cirurgia plástica que mais causa mortes no Brasil, muito por causa da banalização do procedimento e da falta de treinamento dos profissionais envolvidos. Como já dissemos várias vezes, a cirurgia plástica precisa ser feita em hospitais equipados e os cirurgiões, treinados e especializados. Exige-se 10 anos de treinamento para o médico especialista, divididos em 5 anos de residência médica, 2 anos de cirurgia geral e 3 anos de cirurgia plástica, além de um a prova admissional feira pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Não acredite em falácias monetariamente atraentes e não se submeta a supostos profissionais que realizam a lipoaspiração em clínicas sem respaldo hospitalar.

Como é o pós-operatório?

As cicatrizes da lipoaspiração são mínimas e imperceptíveis, já que baseiam-se em um orifício pequeno e que não causarão incômodo. Se houver necessidade de duas ou mais áreas a serem aspiradas, pode-se pedir internação por 24 horas por segurança; caso contrário, a paciente pode ir para casa no mesmo dia após a avaliação. Independentemente de ser necessária ou não internação, pede-se um período de sete dias para cicatrização e recuperação. O uso de antibióticos para prevenção de infecções e analgésicos para suprimir episódios de dor geralmente são prescritos durante a convalescença.

É obrigatório o uso de cintas modeladoras após a cirurgia. Ela irá comprimir as partes sujeitas à lipoaspiração e ajudar a moldar o corpo, além de prevenir inchaços. Essa cinta, ou cintas, devem ser usada durante todo o dia, sendo retirada apenas na hora do banho. Atividades físicas só poderão ser feitas pelo menos 30 dias após o procedimento cirúrgico, e ainda assim de forma moderada. O tempo para a percepção visual dos resultados esperados é de seis meses em média, dependendo sempre do metabolismo de cada paciente. Como os depósitos de gordura só se multiplicam durante a adolescência, as partes lipoaspiradas dificilmente voltarão a acumular células adiposas, já que elas apenas aumentam de tamanho durante a vida adulta. Quanto maior for o cuidado com a alimentação e com a eliminação do sedentarismo, menor as chances de voltar a ter acúmulo de gordura nas partes sujeitas à lipoaspiração.

O que é lipoescultura?

É uma cirurgia plástica modeladora que une as técnicas de lipoaspiração e enxerto de gordura. A paciente usa a gordura do próprio corpo para preencher áreas flácidas, com depressões ou “furinhos” (como a celulite) ou com pouco tecido adiposo. O objetivo é puramente estético e visa modelar e adequar o corpo aos padrões estéticos da paciente.

Quais as semelhanças e diferenças com a lipoaspiração?

Assim como a sucção de gordura acima mencionada, é preciso se submeter a todos os exames pré-operatórios (radiografias, exames de sangue e eletrocardiograma, entre outros). Na operação propriamente dita, infiltra-se a solução de Klein, composta de soro fisiológico, lidocaína, adrenalina e bicarbonato de sódio para que a área a ser sugada seja destacada e para evitar sangramentos e traumas. A anestesia pode ser local, geral ou peridural, assim como a lipoaspiração. As cânulas para sucção são as mesmas e a técnica muito parecida.

A partir daí, tudo muda. A gordura retirada é tratada para a retirada de traços de sangue, anestésico e células adiposas rompidas, do mesmo jeito como a água é tratada para que venha às torneiras. Após a depuração da gordura, ela é enxertada em novos locais do próprio corpo da paciente através de seringas finas. A gordura irá dar volume e forma à área injetada. Assim como a lipoaspiração, quaisquer partes do corpo podem ser submetidas à lipoescultura. As partes mais procuradas são os glúteos, as mãos, as mamas e a face. Uma lipoescultura dura em média duas horas.

Legalmente, qualquer médico pode realizar a lipoescultura. Contudo, recomenda-se o mesmo cuidado que se deve ter com a lipoaspiração. Ou seja, o ideal é procurar um cirurgião plástico e fazer a intervenção cirúrgica em ambiente hospitalar. Outra recomendação que se faz é que, caso haja necessidade de mais aplicações de gordura, deve-se obedecer um intervalo de 30 dias, no mínimo, entre as cirurgias. Se houver necessidade de se aplicar mais células adiposas no mesmo lugar, o prazo aumenta para seis meses após a primeira lipoescultura, pois não se deve ultrapassar as duas horas recomendadas por cirurgia.

Recomenda-se retirar no máximo 5% do peso corporal durante a lipoescultura.

A lipoescultura é recomendada em quais casos?

Os melhores resultados foram no rejuvenescimento de mãos, na aplicação no rosto e no aumento dos glúteos de das mamas. A lipoescultura não faz milagres e não é um tratamento para emagrecer. As áreas a serem preenchidas precisam ter boa elasticidade. Caso haja flacidez devido ao excesso de pele no local, o excedente deve ser retirado. É recomendado que pessoas que queiram fazer a lipoescultura estejam dentro do peso considerado normal e com falta de tecido gorduroso nas áreas acima mencionadas.

Algumas áreas a serem submetidas á lipoescultura poderão exigir exames específicos, como ecografias de abdome para detecção de hérnias, cálculos renais ou biliares. Essas condições podem resultar em pós-operatórios dolorosos e acusações de violação de algum músculo ou cavidades por conta das agulhas.

Quais são as contraindicações?

Pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e problemas pulmonares são desaconselhadas a se submeter à lipoescultura devido aos riscos inerentes a essas patologias crônicas, como dificuldade de cicatrização, possibilidade de necrose dos tecidos e paradas cardiorrespiratórias. Quem fuma deve parar de fumar 60 dias antes da cirurgia, pois o cigarro e seus componentes complicam a cicatrização. Deve-se interromper o consumo de pílulas anticoncepcionais, pois há ligação entre seu uso e o risco de tromboses.

Quais as orientações depois da lipoescultura?

Geralmente não é preciso internar a paciente, bastando um período de observação pós-operatória entre 12 e 24 horas. Mas nem por isso a lipoescultura pode ser feita em qualquer clínica; assim como quaisquer cirurgias, ela deve ser realizada em hospitais ou ambientes hospitalares. Depois da liberação da paciente, podem-se observar alguns efeitos desagradáveis, como manchas, edemas, excesso ou falta de sensibilidade em algumas áreas. A prescrição de antibióticos e analgésicos também segue a mesma norma da lipoaspiração; o uso de remédios anticoagulantes pode ser necessário em caso de possibilidade de tromboses. O uso de cintas modeladoras vai depender do critério médico ou do local onde a escultura corporal foi feita.

Caminhadas estão liberadas, mas exercícios mais vigorosos devem ser evitados por pelo menos 30 dias após a lipoescultura. Após esse período, deve-se observar a adaptação do organismo às inoculações de gordura. Muita atenção às recomendações pós-operatórias e com procedimentos baratos demais. Os riscos da lipoescultura são os mesmo de quaisquer cirurgias, e podem variar de inchaços que se prolongam por mais tempo do que o previsto até a necrose (apodrecimento e morte) da gordura inoculada, o que pode causar perfurações intestinais e embolia pulmonar.

E a drenagem linfática, emagrece?

É muito comum os cirurgiões recomendarem sessões de drenagem linfática após a lipoaspiração e a lipoescultura. Essa técnica é muito utilizada como coadjuvante de diversos tratamentos de beleza e de saúde e frequentemente é confundido com uma técnica para emagrecer graças a um boca a boca pouco abalizado. Antes de se perguntar se a drenagem linfática emagrece, saiba quais são as indicações para sua aplicação.

Drenagem linfática: uma técnica de massagem?

A técnica de drenagem linfática lembra uma massagem relaxante a olhos leigos graças aos toques realizados pelo fisioterapeuta e/ou massoterapeuta, os dois profissionais de saúde que mais a executam. Apesar de também se prestar para esse fim, a drenagem linfática tem como objetivo principal o estímulo de uma série de pequenos vasos que compõem nosso sistema circulatório além das veias e artérias, chamado de sistema linfático.

Esse sistema é constituído por pequenos vasos que transportam a linfa, um líquido rico em proteínas, micro-organismos e células do sangue, além de toxinas e bactérias. Sua principal função é ligar as células e efetuar trocas metabólicas para alimentação e depuração do corpo. O sistema linfático se une através dos gânglios linfáticos ou linfonodos, glândulas que compõem nosso complexo sistema imunológico e que são responsáveis por detectar e combater corpos estranhos, germes e infecções. A linfa é filtrada pelos gânglios e essas glândulas podem ser acessadas através da drenagem linfática principalmente no pescoço, nas axilas, na virilha, abaixo do queixo e da mandíbula, atrás da orelhas e na parte de cima da cabeça.

Princípios da drenagem linfática

Na drenagem linfática, os gânglios são pressionados para que a linfa acumulada pelas células consiga se movimentar. Esse acúmulo de líquido linfático pode se dar por dificuldades de absorção dos nutrientes pelas células ou por doenças autoimunes que retardam o trânsito da linfa. A massagem auxilia a circulação como um todo e promove a redução do inchaço, relaxamento muscular e discreta redução da gordura localizada.

A linfa transporta gordura, principalmente triglicerídeos, e vitaminas. O estímulo dos gânglios faz com que om líquido linfático corra de maneira mais eficiente em direção ao fígado, onde os nutrientes são metabolizados e distribuídos pelo organismo através da corrente sanguínea. Isso ajuda a nutrição e oxigenação do organismo, melhorando aspectos estéticos como a redução da celulite, da gordura localizada e do inchaço. É claro que a drenagem linfática auxilia, mas não faz milagres nem age sozinha; é preciso que a pessoa colabore se alimentando de forma equilibrada e praticando atividades físicas que aumentem a circulação do sangue.

Como é feita a drenagem linfática

Cada região do corpo precisa de movimentos específicos para que os gânglios linfáticos de cada área sejam estimulados corretamente. As pernas pedem movimentos de baixo para cima: do tornozelo ao joelho e das coxas à virilha, respectivamente. Já na região da barriga os movimentos são de baixo para cima, da região do diafragma à virilha. Nos braços e no tórax, a massagem deve se dirigir às axilas. O rosto também pode ser alvo da drenagem linfática; basta que a drenagem linfática seja feita na direção do pescoço, onde os gânglios dessa área estão. No couro cabeludo, o foco deve ser a parte superior do crânio e nas têmporas.

A drenagem linfática manual é a que proporciona melhores resultados, apesar de existirem mecanismos que auxiliem a massagem em áreas mais amplas, como coxas e abdome. O toque dos dedos consegue identificar melhor os gânglios e fazer com que eles sejam esvaziados do excesso de linfa. Bons profissionais manipulam as glândulas primeiro, rotacionando-as em sentido horário para estimular sua desobstrução, e depois movem os vasos para que a linfa os percorra sem interrupções até os gânglios.

Sessões necessárias de drenagem linfática

Quem puder, deve fazer a drenagem linfática pelo menos três vezes por semana ou aprender técnicas de auto-massagem e fazer isso diariamente. A regularidade é essencial para que a retenção de líquidos não retorne; os hábitos alimentares também devem sofrer algumas modificações. O consumo de sódio deve ser reduzido ao mínimo necessário e a ingestão de fibras solúveis e insolúveis deve aumentar, além do acréscimo de alimentos reconhecidamente diuréticos, como frutas cítricas.

Grávidas podem fazer drenagem linfática?

Sim. Retenção de líquidos é um problema recorrente durante a gravidez e a drenagem linfática pode ser uma técnica auxiliar para evitar esse desconforto. Contudo, a massagem só poderá ser feita sob prescrição do obstetra, de forma diferenciada. Alguns gânglios não podem ser estimulados e a posição que a gestante deve ficar é de lado, por razões óbvias.

Efeitos esperados da drenagem linfática

O inchaço causado pela retenção de líquidos é reduzido visivelmente. Já as consequências sobre a celulite dependem muito mais das mudanças de estilo de vida da paciente, como mudanças na alimentação, eliminação do tabagismo, inclusão de atividades físicas e redução dos níveis de estresse. Além da continuidade do tratamento, a pessoa também precisa fazer sua parte, reduzindo o consumo de sódio, o principal vilão do inchaço, aumentar a ingestão de fibras e água – sim, ingerir mais água ajuda a eliminar a retenção de líquidos por fazer com que sistema renal trabalhe melhor – e praticar exercícios.

Contraindicações

Pessoas que sofrem com problemas vasculares sérios, como trombose, hipertensão descompensada e quaisquer indícios de insuficiência cardíaca devem evitar se submeter à drenagem linfática, assim como pacientes com infecções bacterianas ou virais. Bactérias e vírus podem ser extremamente danosos ao sistema linfático, além de serem facilmente transportados pelos pequenos vasos para órgãos nobres. Quem estiver fazendo quimioterapia não pode fazer drenagem linfática porque restos de tumores podem invadir a linfa e piorar o quadro cancerígeno.

A carboxiterapia

Oriunda dos tratamentos com água carbonatada em balneários aquáticos, a carboxiterapia usa essencialmente gás carbônico como parte de um tratamento estético que envolve agulhas. No começo, incluía-se o dióxido de carbono (CO2) na água para que ela borbulhasse e causasse relaxamento da pele e dos vasos sanguíneos. É como se fizessem uma grande banheira de refrigerante sem açúcar para se obter o efeito das banheiras de hidromassagem de hoje em dia.

Atualmente, a carboxiterapia é um moderno e caro tratamento estético cujas principais finalidades são o tratamento da celulite, a redução da flacidez da pele e eliminação de estrias, auxiliar nos problemas circulatórios dos membros inferiores, como varizes e flebites, e diminuir a gordura localizada.

E antes que perguntem, já respondemos: NÃO, a carboxiterapia não emagrece; a técnica tem função estética e não pode ser usada para perda de peso.

Como age a carboxiterapia

Aplica-se gás carbônico sob a pele por meio de agulhas. Quem observa pode achar que a técnica é um parente distante da lipoaspiração, mas essa técnica insere um elemento em nosso corpo, ao invés de retirar algo. O objetivo é a dilatação dos vasos sanguíneos para que a circulação do sangue melhore. A vasodilatação causa um efeito colateral esperado, que é um “trauma” no tecido (pele) e a desconstrução do sangue, principalmente da hemoglobina (as células vermelhas do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio e nutrientes).

Esse choque causado pelo dióxido de carbono faz com que a pele se inflame e produza os chamados fibroblastos, células que dão origem à elastina e ao colágeno, responsáveis pela elasticidade e firmeza do tecido cutâneo. Na corrente sanguínea, o corpo manda um aporte maior de oxigênio ao sangue, o que causa dilatação de veias e artérias e uma consequente melhora na velocidade de eliminação de toxinas de gorduras. Os efeitos serão visivelmente sentidos após pelo menos cinco sessões.

Uma sessão individual de carboxiterapia custa entre R$ 150 e R$ 200, mas clínicas estéticas costumam oferecer pacotes de tratamento com no mínimo cinco sessões. Por mais que a carboxiterapia não seja considerada um procedimento cirúrgico, muna-se de precauções e procure clínicas idôneas e capitaneadas por cirurgiões plásticos reconhecidos.

Contraindicações da carboxiterapia

Pessoas com fobia por agulhas devem evitar o tratamento, já que elas são os instrumentos-chave da técnica. As inoculações de gás carbônico podem causar um certo desconforto, ardência e pequenas, quase imperceptíveis, lesões. Consulte seu médico antes de realizar o procedimento estético para saber se há alguma contraindicação específica ao seu biotipo.

E não custa lembrar: carboxiterapia não emagrece! É um tratamento estético e deve ser feita por profissionais confiáveis.

E a criolipólise, emagrece?

Pesquisas feitas na universidade de Harvard, nos EUA, observaram que células de gordura podem ser mortas sob temperaturas inferiores a zero. Uma das ramificações desse estudo mostrou um nível de temperatura que eliminasse os adipócitos (as células de gordura) mas não prejudicasse a pele, nervos e os sistemas nervoso e circulatório. Esse ponto de resfriamento específico deu origem aos aparelhos de criolipólise na década de 1980.

O termo criolipólise é a junção de duas palavras do Grego antigo: crio=frio e lipos=gordura. Essa técnica congela os adipócitos até que eles morram e sejam eliminados através da metabolização natural de nosso organismo.

Como é feita a criolipólise

O aparelho de criolipólise é composto de aplicadores que se encaixam em algumas partes do corpo onde a gordura localizada esteja incomodando esteticamente, como os famosos pneuzinhos por exemplo. O abdome é o local mais indicado, mas coxas e braços também podem ser envolvidos pelos aplicadores do aparelho. Não há como fazer criolipólise no rosto e seios.

Após a anamnese do dermatologista (a criolipólise não é considerada um procedimento cirúrgico, mas o aparelho só poderá ser manuseado por médicos devidamente treinados, como dermatologistas, fisioterapeutas, endocrinologistas e cirurgiões plásticos, por exemplo), o profissional aplica um gel protetor para que a pele não sinta muito os efeitos da sucção e do congelamento. Com o aplicador posicionado, suga-se a parte da pele a ser tratada e resfria-se a área repuxada. Esse processo deve durar pelo menos uma hora.

O resfriamento mata as células de gordura sem danificar nervos, músculos, veias e artérias. A temperatura baixa atinge apenas a gordura, “matando-a” de frio. Posteriormente, as células adiposas mortas são eliminadas pelo sistema imunológico através do sistema linfático e do fígado. Esse não é um processo imediatista; os efeitos da criolipólise serão melhor observados entre dois e três meses após as sessões, mas a diferença poderá ser visivelmente notada após 10 dias, pelo menos.

Pode ocorrer um desconforto durante a criolipólise, mas apenas no começo; o congelamento anestesia a área e o processo segue sem dor. Os hematomas são raros, mas quando eles aparecem são passageiros. Geralmente uma sessão dá conta do trabalho, mas se houver necessidade de repetir o processo, ele deverá ser feito dois meses após, para que se verifique se ainda há gordura localizada a se eliminar.

Indicações da criolipólise

A criolipólise é um tratamento cem por cento estético para eliminação de gordura localizada, principalmente aquela que é de difícil remoção por meio de exercícios ou mesmo pela lipoaspiração. Ela não é indicada para eliminação de sobrepeso ou obesidade e para menores de idade. Como o congelamento das células de gordura acumulada as mata, elas não voltam a se acumular porque esse processo de agregamento de gordura acontece durante a adolescência e se encerra após a vida adulta. Contudo, é preciso tomar cuidado com o sedentarismo e a alimentação, evitando o ganho de peso praticando atividades físicas.

Contraindicações da criolipólise

Não há grandes restrições a serem observadas. A paciente não pode ter sensibilidade física ao frio, como urticária, não pode ter se submetido a quaisquer cirurgias e não possuir hérnias e infecções nos locais onde as aplicações serão feitas. Gestantes e lactentes não podem fazer criolipólise. Certifique-se que tanto o aparelho de congelamento quanto o profissional que irá manuseá-lo sejam de confiança.

Preço da criolipólise

Até agosto de 2017, o preço médio de uma sessão de criolipólise é R$ 3.000.

Como tratar a celulite?

A celulite está longe de ser um problema mortal de saúde, mas seus efeitos sobre a autoestima feminina são devastadores em alguns casos. Não raro, mulheres gastam verdadeiras fortunas para tentar se livrar das crateras que a celulite forma principalmente nas coxas e nos glúteos. Poucas são as mulheres que realmente não se incomodam com as crateras formadas na derme, e o mercado multimilionário dos cremes, técnicas e produtos que teoricamente combatem a celulite não nos deixa falar em vão: o mercado cosmético movimenta cerca de R$ 10 bilhões anualmente (números de 2015) e invade clínicas, salões de beleza, nossas casas e smartphones através de um maciço investimento em marketing.

Contudo, é preciso cautela: nem todos os métodos de combate à celulite são eficazes a longo prazo e nenhum é milagroso, por mais que usem modelos dos catálogos da Victoria’s Secret para convencê-la do contrário. Para saber quais técnicas você está disposta a pagar, e enfrentar, saiba quais são os ônus e bônus de cada um.

Cremes para celulite

Os primeiros a serem cogitados graças à aparente praticidade e veiculada eficácia no combate às depressões da pele. Desde meados do século passado o mercado cosmético se esmera em desenvolver produtos que aliam a tecnologia à fitoterapia (estudo e aplicação de medicamentos retirados de plantas). Embora hoje em dia eles sejam mais eficazes em dissimular a celulite, não se engane; tudo o que os cremes fazem é disfarçar casos leves graças a princípios ativos que ativam a eliminação de gordura, a elasticidade da pele e a circulação sanguínea e linfática mas sempre de forma superficial e dependente de seu estilo de vida (deixar de fumar, por exemplo, já é um excelente começo para ajudar a combater a celulite).

Dentre os princípios ativos mais usados nesses cremes estão:

  • Cafeína, chá-branco, xantocilina – enfraquecem células de gordura
  • L-carnitina, retinol (Vitamina A) – auxiliam na produção de colágeno, proteína que aumenta a capacidade estrutural dos tecidos e reduz a flacidez da pele.
  • Hidratantes e drenantes usados em diversos produtos cosméticos que supostamente ajudam a reduzir medidas com auxilio de massagens.

Os cremes que combatem a celulite leve não são baratos e dependem totalmente do comprometimento da pessoa em reduzir peso, incluir atividades físicas à rotina e alimentar-se de forma mais saudável.

Tratamentos contra a celulite

Quem tem casos médios e graves de celulite irá precisar bem mais do que a aplicação de cremes. Os tratamentos a seguir indicados são invasivos e necessitam de profissionais capacitados. Se alguém oferecer quaisquer desses tratamentos em clínicas de estética onde não haja um dermatologista, recuse. São pequenas inserções cirúrgicas que irão necessitar de uma equipe preparada. Não caia na armadilha do preço camarada e na ilusão de que os procedimentos são simples.

Injeções de ácido hialurônico

Para quem tem celulites profundas, a primeira indicação são as injeções de ácido hialurônico. Conhecido por ajudar a eliminar rugas e preencher lábios pouco carnudos, o ácido hialurônico mostrou-se eficaz no combate à celulite. A substância estimula a produção de colágeno, o que promove o ajuste do relevo da derme, eliminando as pequenas crateras. São necessárias pelo menos três aplicações por mês para que os efeitos sejam os desejados, mais as já conhecidas mudanças de hábitos. O efeito de “pele lisinha” dura cerca de um ano, em média. Tome cuidado: certifique-se que o profissional esteja usando o ácido hialurônico corporal nas coxas e glúteos. A versão para lábios e rugas não pode ser usada em áreas maiores, e vice versa. Como a aplicação necessita da aplicação de anestesia local, só as faça sob cuidados médicos.

Incisão subcutânea – Subcisão

Celulites avançadas podem ser eliminadas através da incisão subcutânea ou subcisão. É um procedimento cirúrgico para correção de alterações graves de relevo da pele, como cicatrizes. Rompem-se as fibras por baixo da área a ser corrigida, chamadas de septos fibrosos, com o auxílio de uma agulha em forma de bisturi que penetra por baixo da pele e rompe os septos, além de cortar algumas veias, o que causa alguns hematomas. Esses hematomas ativam a formação de uma nova camada de tecido que irá distribuir a gordura e a posição das novas fibras, preenchendo os sulcos da celulite. O uso de anestesia depende do tamanho da área a ser tratada, mas o procedimento só pode ser feito por cirurgiões capacitados.

O pós-operatório da incisão subcutânea pede sete dias de convalescença mais um mês sem atividades físicas e o uso de meias ou cintas de compressão. Evitar exposição da área operada ao sol. Podem ocorrer episódios de inchaço, arroxeamento da pele graças ao sol e formação de queloides (marca fibrosa e arredondada formada em cicatrizes).

Ultracavity – ultrassonografia focalizada de intensidade

Uma técnica recém implantada para a eliminação tanto da celulite quanto da gordura localizada é chamada de Ultracavity, ou ultrassonografia focalizada de intensidade. Uma quantidade de energia é pré-determinada para ser aplicada na região escolhida e essa energia é transformada em bolhas de ar. Essas bolhas se deslocam e furam as células adiposas, que fazem com que a gordura “murche”. Músculos e outras células não são atingidas pela ação do Ultracavity. A energia é liberada em pulsos e por isso não há aumento de temperatura, o que evita queimaduras. A gordura “murcha” e enfraquecida é eliminada pelo sistema hepático (o fígado, para ser mais exato). Além da gordura localizada, os pulsos de energia também uniformizam a pele, eliminando as crateras de celulite. O tratamento dura em média seis sessões e cada sessão pode custar cerca de R$ 800.

Intradermoterapia

Quando celulite e gordura localizada se unem, a intradermoterapia é uma opção para quem não se incomoda em tomar algumas agulhadas. Como o nome já indica, injeta-se na derme, logo abaixo da epiderme (pele), soluções farmacológicas formadas basicamente por enzimas para dissolver a gordura localizada e eliminá-las através dos dejetos. Assim como os demais tratamentos acima mencionados, a intradermoterapia não emagrece e só funciona quando não há excesso de tecido adiposo. A fórmula da injeção é composta por desoxicolato de sódio, trissilinol, buflomedil e lidocaína.

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