Medicamentos para emagrecer: indicações, opções e riscos

O uso de medicamentos que combatem a obesidade é um assunto polêmico, mas inescapável.Os tipos de remédios e as condições de prescrição precisam ser discutidos de maneira séria.

27 de fevereiro de 2014 • Por Mariana, em Comportamento, Medicamentos


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Mesmo com as recentes restrições da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a discussão sobre o uso de medicamentos para emagrecer perdura graças principalmente à busca por soluções rápidas para combater a obesidade.

O uso de fármacos anorexígenos ainda é muito influenciado pelo boca a boca; o número de pessoas que afirmam ter usado remédios para perder peso com sucesso é significativo, e junto com essa informação anexa-se também o nome do profissional médico “amigo”, geralmente um não-especialista, que prescreve esses medicamentos.

As indicações para o uso de medicamentos para emagrecer

Como foi rapidamente dito no texto “Quando fazer a cirurgia bariátrica?“, o uso de medicamentos para emagrecer só é considerado se o grupo médico multidisciplinar formado por médicos e nutricionistas verificar que o primeiro passo para emagrecer, que consiste em mudanças de hábitos, dieta e exercícios,  não surtir o efeito desejado, especialmente se as causas para o insucesso forem hormonais.

O Consenso Latino-Americano em Obesidade só considera o uso de medicamentos para emagrecer sob as seguintes condições:

  • Quando o paciente tiver IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior do que 30;
  • Quando o IMC for igual ou maior do que 25, juntamente com fatores de risco como diabetes Mellitus, hipertensão arterial, colesterol alto, entre outros;
  • Quando a combinação dieta-exercício não obtiver sucesso.

A opção pelo uso de medicamentos não elimina os cuidados com a saúde do paciente. Ou seja, os fármacos ainda devem estar associados à correta prescrição médica e à manutenção de uma dieta correta e inclusão de exercícios à rotina.

Grupos de medicamentos para emagrecer existentes

Existem três tipos de remédios para emagrecer, divididos pelo modo de ação no metabolismo. São eles:

  • Remédios que agem sobre neurotransmissores responsáveis pelo apetite, por comportamentos que levem às compulsões alimentares ou por ambos;
  • Remédios que atuam diretamente no metabolismo, especialmente a termogênese (produção de calor que queima calorias);
  • Remédios que diminuem a absorção de gorduras no sistema digestivo.

Principais remédios de cada grupo

Fármacos que agem sobre neurotransmissores:

  1. Mazindol, anfepramona, fenproporex, fentermina e fenilpropanolamina – Agem principalmente sobre a noradrenalina, diminuindo a fome
  2. Flouxetina e sertralina – São conhecidos como inibidores de recaptação da serotonina. A serotonina é o neurotransmissor responsável, entre outros comportamentos, pelo apetite.
  3. Sibutramina – Atua sobre os dois neurotransmissores acima mencionados e também aumenta o gasto calórico.

Fármacos que aumentam a termogênese:

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  1. Efedrina – Aumenta as taxas de adrenalina, como se o corpo fosse submetido a um “susto químico”.
  2. Cafeína – Estimulante do sistema nervoso central, acelera o ritmo cardíaco e dilata os vasos sanguíneos.

Fármaco que reduz a absorção de gordura:

  1. Orlistat – Inibe a ação das enzimas do pâncreas que consomem as gorduras.

Efeitos colaterais dos medicamentos para emagrecer

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  • Taquicardia;
  • Sudorese;
  • Irritabilidade;
  • Boca seca;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Insônia;
  • Ansiedade;
  • Disfunções sexuais diversas (perda do desejo, impotência);
  • Dores de cabeça intensas.

No caso específico do orlistat, o uso pode causar diarreias gordurosas, incontinências (dificuldade na retenção das fezes) e perda de absorção de vitaminas lipossolúveis (solúveis em gorduras) importantes, a saber: A, D, E e K.

Outras substâncias usadas no tratamento da obesidade

O grande problema no uso de medicamentos para emagrecer é o uso concomitante com outras drogas, transformando a “solução medicamentosa” em um perigoso coquetel de fármacos cujo objetivo é combater os efeitos colaterais dos principais remédios, geralmente causando outros efeitos colaterais. Veja alguns exemplos:

  1. Ansiolíticos – Combatem a ansiedade e a tensão, mas causam dependência.
  2. Diuréticos – Eliminam a retenção de líquidos, mas podem levar à desidratação.
  3. Hormônios do crescimento (GH) e hormônios da tireoide – Mexem com a interação entre os hormônios e o metabolismo, cm consequências imprevisíveis.

A tentação ao uso de medicamentos para emagrecer é grande, e um dos principais motivos dessa sensação de urgência é a massificação midiática da beleza magra. A obesidade não deve ser tratada como inimigo da beleza, mas da saúde. Médicos sérios insistem com ênfase nas mudanças comportamentais para que o emagrecimento seja uma consequência saudável.

Procure, antes de qualquer método “milagroso”, mudar hábitos alimentares e fugir do sedentarismo incluindo atividades físicas prazerosas e eficazes, e só utilize medicamentos sob severa indicação clínica, nutricional e psicológica. A vida é muito mais importante do que caber em um jeans com numeração pequena.

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