O mecanismo da fome

Fome ou vontade de comer? Embora pareçam sinônimos, as duas sensações podem ser causadas por diferentes mecanismos. Alguns deles serão mostrados nesse texto.

07 de abril de 2014 • Por Mariana, em Alimentos, Comportamento, Destaques


O desejo de comer geralmente é comparado com a ausência de combustível em um veículo: sem gasolina ou etanol, seu carro ou moto simplesmente não anda por não ter o primeiro catalisador que movimenta a máquina. Usando essa analogia automobilística, a fome é nosso indicador de nível de combustível.

Quando uma pessoa quer eliminar o peso excedente, um dos primeiros embates a ser enfrentado é o real peso do desejo de comer em nosso organismo. Por mais que isso pareça simples raciocínio dedutivo (quando sentimos fome, devemos nos alimentar), o mecanismo da fome é algo complexo, mas que pode ser controlado quando se sabe o que leva cada um a comer.

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O processo metabólico que leva à fome

Quem determina em primeiro lugar que o corpo precisa se alimentar é o sistema digestivo, mais especificamente a velocidade do esvaziamento gástrico.

Quando o estômago está vazio, libera um hormônio chamado grelina, que vai ao cérebro pela corrente sanguínea.

A grelina chega ao hipotálamo, parte do cérebro responsável, entre outras coisas, pelo apetite. O hipotálamo ativa o odor e o paladar, tornando-os mais sensíveis. Ao mesmo tempo, enquanto o alimento não é ingerido, o cérebro comanda o consumo dos açúcares e gorduras estocados.

Quando a comida chega ao estômago, outro hormônio entra em ação: a leptina, produzida pela camada de gordura em volta do estômago. A leptina informa ao cérebro que estamos saciados, determinando o fim da alimentação.

Por que alguns sentem mais fome do que outros?

A resposta não é simples, nem simplista. Cada metabolismo tem seu motivo para sentir mais ou menos fome, e o que se pode informar aqui são as causas mais comuns, todas envolvendo hormônios.

  • Resistência à ação da leptina, mais comum entre pessoas obesas. É preciso produzir mais leptina para se sentir saciado, e isso só acontece quando se come mais.
  • Desarranjos hormonais que causam transtornos de ansiedade, um dos principais gatilhos da fome fora de hora (também sabiamente chamada de “vontade de comer”).
  • Vício em comer, já que o prazer em alimentar é causado pela dopamina, hormônio também ligado ao orgasmo e demais prazeres orgânicos, além de diversos vícios, como o alcoolismo

Como combater a fome fora de hora?

Cada pessoa tem suas especificidades, que serão descobertas por um médico devidamente habilitado. Contudo, existem algumas atitudes que podem ajudar a manter a fome sob controle.

  • Não deixe de tomar o café da manhã. Após uma noite de sono e jejum, o corpo precisa de carboidratos, proteínas e gorduras para começar suas atividades rotineiras.
  • O almoço precisa ser ricos em alimentos que diminuam a velocidade do esvaziamento gástrico. Alimentos integrais, proteínas de alta qualidade, frutas e legumes são perfeitos.
  • No jantar e na eventual ceia, consuma carboidratos com baixo índice glicêmico. Uma pesquisa recente comprovou o efeito benéfico dos carboidratos no mecanismo do sono.
  • Preencha os intervalos entre as principais refeições com lanches saudáveis e pouco calóricos.

Nutrientes que combatem a fome

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Para que a fome seja apenas o indicativo das horas da refeição, recomenda-se que consuma nutrientes que auxiliem o metabolismo e os hormônios a trabalharem em favor de sua saciedade. Eis os mais prescritos.

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Carboidratos integrais – Liberam glicose de forma lenta e saciam com maior eficácia por diminuir a velocidade com que o estômago fica vazio.

Cálcio – Quimicamente falando, são responsáveis pela manutenção dos sinais neurológicos. Ou seja, o cálcio ajuda a comunicação perfeita entre neurônios, facilitando a compreensão de sinais de saciedade e fome.

Zinco – São fundamentais para o fortalecimento das sinapses que ajudam a memória, e por tabela as demais transmissões neurais, como as facilitadas pelo cálcio.

Líquidos  – Água, chás e algumas frutas ajudam o sangue a transportar os nutrientes de forma mais rápida e eficiente.

Ferro – Principal formador da hemoglobina, ou glóbulos vermelhos, no sangue. Ajuda na respiração celular e combate a anemia.

Ácido graxo Omega-3 – A mais famosa gordura do bem é parte da membrana celular dos neurônios. Essa membrana garante a perfeita transmissão elétrica entre neurotransmissores (a chamada sinapse).

Consulte seu nutricionista para que ele informe quais alimentos são ricos nos nutrientes acima descritos. Ela também irá dizer outros nutrientes fundamentais.

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