O papel da família na obesidade

A obesidade é um mal que precisa ser tratado da forma correta, e a família é um dos pilares da maneira correta de tratá-la. Mas e se a família fizer parte do problema?

31 de março de 2014 • Por Mariana, em Comportamento, Destaques


Ser gordo hoje em dia é muito fácil. Se antes havia as dificuldades de um estilo de vida que permitia o gasto calórico, hoje o ser humano criou mecanismos facilitadores para que a vida como a conhecemos fosse mais rápida, prática e veloz.

Não se percorrem mais os quilômetros sobre as próprias pernas ou sobre o lombo de animais; não é mais necessário arar, cultivar e colher o que se come. O carro e a geladeira são os totens de nosso estilo de vida.

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Entretanto, o corpo humano não se adaptou às facilidades criadas eliminando facilmente os inevitáveis excessos alimentares.

Tudo o que alimenta o corpo ainda é considerado caloria a ser empregada em algum momento, e se ela não for gasta será guardada sob forma de gordura.

O resultado é que a sociedade ocidental possui altas taxas de pessoas com sobrepeso ou obesas.

Obesidade: problema de saúde pública

Segundo dados oficiais, quase metade dos brasileiros (48%) está acima do peso em diversos níveis. O que mais assustou o Ministério da Saúde foi o número de crianças com sobrepeso ou obesas: 33% no primeiro caso e 14% no segundo caso.

A obesidade é considerada uma doença não porque ela acomete uma pessoa de um mal específico, mas por ser vetor de problemas de saúde graves, como:

  • Colesterol alto;
  • Diabetes;
  • Problemas nas articulações das pernas e braços.

Essa tríade é responsável pela maioria dos óbitos e incapacitações físicas e mentais, pois causam:

  • Infarto do miocárdio;
  • Acidentes vasculares cerebrais (AVC), o popular derrame;
  • Impotência sexual;
  • Arritmia cardíaca;
  • Hipertensão;
  • Cânceres no sistema digestivo, principalmente no cólon e intestinos.

O SUS gasta cerca de R$ 490 milhões anualmente para tratar os males causados pela obesidade, e por mais que existam programas para tentar erradicar o excesso de peso – como a diminuição do sal nos alimentos processados e a inclusão de cardápios saudáveis nas merendas escolares -, o problema geralmente começa em casa, no seio da família.

O exemplo dos pais

Não é possível negar a relação intrínseca entre hábitos alimentares da família e a obesidade. Basta que se observe os membros de uma família com pai e mãe com sobrepeso ou obesos; invariavelmente seus filhos também sofrerão com o excesso de peso. E de nada adianta impor regras alimentares e insistir nos malefícios do abuso de gorduras a açúcares.

A batalha não é contra os alimentos, e sim contra a relação psicológica envolvida em quem come algo sabidamente calórico. A comida pode esconder mais do que simplesmente gula ou “falta de força de vontade”. Existe uma geração de pessoas que hoje são pais e mães que foram criados sob uma rigidez hoje impensável, e que usam a comida como “brado de liberdade”.

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Há também os pais que usam a comida como muleta que os ajudam a atravessar problemas cotidianos e frustrações. Se algo não deu certo no trabalho ou no relacionamento, sempre haverá uma caixa de chocolates ou um lanche hipercalórico que dará àquele momento um alento.

Existem os que usam a comida como prêmio por metas alcançadas, sejam elas familiares ou profissionais. “Você passou de ano e merece um bolo de chocolate”, ou “consegui atingir a meta e mereço uma pizza” dão ao alimento um status inglório: mais do que um simples repositor de energias perdidas, a comida transforma-se na coroação de uma conquista.

O fator emocional, juntamente com os hábitos alimentares familiares, são reconhecidamente responsáveis pela verdadeira epidemia de obesidade. Mais do que fatores genéticos, a família participa da construção emocional de cada indivíduo, inclusive no relacionamento dele com a comida.

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O que fazer?

Não há uma resposta fácil, pois o combate à obesidade exige comprometimento não só de quem quem emagrecer, mas de todos os que fazem parte do círculo familiar.

Quando uma família considera o fato de ter alimentos na despensa um prêmio – atitude muito comum nos últimos anos entre pessoas que galgaram degraus entre as classes sociais – o simples fato de sugerir uma mudança da hábitos alimentares pode ser considerada uma regressão social na cabeça de muitos.

Os ventos multiplicadores precisam, inevitavelmente, vir dos exemplos dos pais e mães, maridos e esposas, irmãs e irmãos, que precisam se conscientizar sobre a importância da alimentação na saúde. Impor dietas restritivas e irreais não funcionam, e usar exemplos vindos de outras realidades sociais também são ineficazes.

Mudar a forma de agir e pensar de adultos não é fácil, mas é possível, desde que se mostre os reais benefícios da alimentação saudável sem radicalismos e atitudes panfletárias. Fazer com que a família se conscientize-se do seu papel na sociedade como um todo é o primeiro passo.

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