Dieta cetônica ou dieta da proteína

A dieta cetônica, ou dieta da proteína, é uma das mais citadas entre os adeptos da dieta. Conheça um pouco mais as bases onde essas ideias dietéticas surgiram.

13 de junho de 2015 • Por Mariana, em Dicas e Dietas


 

No início dos anos 1970, uma nova dieta assolou a mídia e a comunidade médica graças uma eficiente e até então inédita estratégia de marketing envolvendo conceitos científicos e nutricionais de fácil assimilação e a adesão de estrelas do cinema e da música.

Levando o nome do criador da dieta, doutor Robert Coleman Atkins (1930-2003), ela foi a precursora da dieta da proteína, que baseia-se no consumo quase que exclusivo deste nutriente.

Para entender os motivos do sucesso avassalador, e de algumas críticas por vezes virulentas, temos que conhecer a proteína, seu papel nas dietas Atkins e Dukan e como essas dietas agem.


A proteína

A proteína é a “cola” que mantém a estrutura corporal íntegra e com tudo funcionando, inclusive o consumo de calorias.

Basicamente a proteína é composta de oxigênio, nitrogênio e carbono e é parte integrante de órgãos, músculos, sangue e dos hormônios.

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Funções da proteína

  • Manter a integridade de ossos e pele, conferindo a cada parte as características inerentes a cada um, como a elasticidade da pele, a rigidez óssea e a consistência de todos eles. Um exemplo de proteína famoso é a queratina, presente nos fios de cabelo e que proporcionam a eles maleabilidade com resistência.
  • A proteína é essencial à imunidade, pois os anticorpos presentes na corrente sanguínea nada mais são do que proteínas cuja função é eliminar antígenos e manter a coagulação.
  • Transporte de oxigênio e de gás carbônico através da proteína dos glóbulos vermelhos, a hemoglobina e fornecimento de energia, embora em menor quantidade do que os carboidratos.
  • Consumo de nutrientes através das enzimas, proteínas específicas que reagem com elementos específicos. Exemplo: os lipídios (gorduras) só são “quebrados” pela enzima lipase.


Tipos de proteína

São duas: as com alto valor biológico e as com baixo valor. A proteína de alto valor é chamada de completa por possuir todos os aminoácidos (partícula que forma a proteína) essenciais à vida e são fornecidos através da alimentação. As proteínas animais são as mais completas: carne, aves, peixes e ovos.

Já a proteína de baixo valor contém aminoácidos de forma incompleta ou tipos de aminoácidos sintetizados pelo nosso metabolismo, como as presentes em leguminosas e cereais integrais.

Quem se alimenta exclusivamente com alimentos de origem vegetal precisa de suplementação vitamínica que forneça  as vitaminas e demais aminoácidos.


A dieta de Atkins

O histórico como cardiologista do doutor Robert Atkins o levou a elaborar essa dieta baseada em um princípio simples: a limitação sistemática dos carboidratos simples da alimentação.

Os chamados carboidratos simples são encontrados nas farinhas brancas, refinadas e pobre em nutrientes e em diversos tubérculos, como a batata, e são absorvidos mais rapidamente pelo organismo.

De acordo com a teoria do doutor Atkins, o corte drástico do consumo de carboidratos e o foco em proteínas animais e gorduras faria com que o corpo consumisse as reservas de glicose mais rápido e se acostumasse a obter energia vinda da gordura acumulada através da cetose.


As quatro fases da dieta de Atkins

  • Introdução: restrição severa ao consumo de carboidratos, com máximo de 20 gramas por dia, e início de atividades físicas.
  •  Perda de peso: incluem-se 5 gramas de carboidratos por semana, até que o corpo pare de perder peso.
  • Pré-manutenção: foco nos exercícios e aumento pequeno no consumo de carboidrato, caso o peso ideal tenha sido atingido.
  • Manutenção: escolhe-se os alimentos que farão parte indefinidamente do cardápio para que o peso mantenha-se estável, preferindo-se a eliminação de eventuais quilos excedentes.


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A dieta Dukan

Conhecida por alguns como “a dieta de Atkins francesa”, foi lançada pelo nutrólogo Pierre Dukan em um livro que prega essencialmente a mesma restrição alimentar da famosa dieta estadunidense com relação aos carboidratos, porém acrescida da limitação das gorduras no cardápio que não havia na dieta Atkins.

O livro tornou-se campeão de vendas em toda a Europa e recebeu, assim como sua predecessora, a adesão de celebridades como a cantora Beyoncé e a Duquesa de Cambridge, Kate Middleton.


As quatro fases da dieta Dukan

  • Ataque: dura dez dias e consiste no consumo exclusivo de carnes magras grelhadas, leite desnatado e iogurtes sem gordura. Beber água é fundamental nessa fase.
  • Transição ou “fase de cruzeiro”: dura o tempo necessário para que se alcance o peso desejado. Consiste em acrescentar verduras e legumes ao cardápio mantendo a mesma severidade da fase anterior.
  • Consolidação: a pessoa já pode comer alimentos que contenham carboidratos complexos e frutas. Essa fase dura dez dias por quilo perdido na fase de cruzeiro.
  • Estabilização: é a mais longa porque é onde o organismo estabiliza-se e acostuma a ser magro. Não há mais restrições severas como a das fases anteriores. Uma vez por semana é preciso retornar ao cardápio da primeira fase, acrescida de três colheres de farelo de aveia e 30 minutos de exercícios.


Por que as dietas Atkins a Dukan são chamadas de dietas cetônicas?

A explicação para isso é simples: os carboidratos (açúcares, de maneira geral) são mais facilmente utilizados como fonte de energia pelo organismo; quando esta fonte seca, o corpo então vai procurar outra fonte de energia, que são os depósitos de gordura. À queima da gordura a fim de produzir energia dá-se o nome de cetose.


Quais as vantagens e desvantagens dessa dieta?

  • A principal vantagem é a perda de peso visível e quase “imediata”, já que o metabolismo força-se manter os níveis energéticos de antes queimando as gorduras excedentes.
  • Ao se alijar do carboidrato a dieta por um longo período, a atividade do pâncreas se reduz. É o pâncreas que produz a insulina, essencial para aproveitar a energia dos carboidratos. Quando esse hormônio fica muito tempo no sangue ele bloqueia a capacidade do corpo de queimar gorduras, o que faz com que o adepto da dieta cetônica reduza peso pela perda de líquido e da massa magra, preservando a gordura no organismo.
  • Dietas que restringem severamente os carboidratos são fortemente combatida por nutricionistas pelos efeitos a longo prazo para o cérebro e músculos, como deficiências vitamínicas e de minerais que podem causar sérios danos à saúde.
  • A dieta cetônica provoca tontura, cansaço, fraqueza e ainda prejudica a memória, em razão de que o cérebro utiliza carboidratos como principal fonte de energia. Na ausência destes, o corpo precisa fazer uma grande “manobra” para realizar a cetose a fim de ter energia para viver.
  • A cetose produz um grupo de substâncias ácidas chamadas cetonas que causam mau hálito, além de elevar os níveis de amônia no organismo, substância cuja toxicidade é fatal em altos níveis de concentração.
  • Por ser uma dieta restritiva, as chances de se criar o temido “efeito sanfona” são exponenciais ao término de duração da dieta cetônica ou dieta das proteínas, já que algumas pessoas tendem a exagerar no consumo de carboidratos depois de tanto tempo sem comê-los.
  • A dieta cetônica ou dieta de proteínas não restringe o consumo de gorduras de nenhuma espécie. Isso pode levar ao aumento das concentrações de colesterol, ocasionando problemas coronários e até diabetes, sem contar que as artérias também ficam bem mais expostas ao risco oriundo do acúmulo de gordura em suas paredes.


A maneira correta de fazer a dieta da proteína

Nenhuma dieta terá valor caso seu único objetivo seja a diminuição de peso.

Uma dieta valiosa será aquela que propiciar além da redução do peso corporal uma reeducação alimentar, para que o indivíduo possa manter-se magro após o prazo de “sacrifícios”.

A dieta da proteína pode atingir este nobre objetivo com algumas pequenas modificações que não tiram seu mérito de ser facilmente seguida por qualquer um, e diminuindo drasticamente os riscos listados na seção acima.

Em primeiro lugar, o sujeito não deve abolir totalmente o consumo de carboidratos, mas sim dar preferência às frutas frescas como fonte de carboidratos.

O que deve ser abolido é o consumo de açúcar saturado, e de alimentos ricos em carboidratos, tais como batata, mandioca, pães, massas, ou quaisquer outros oriundos de sementes feculantes.

O consumo de proteínas deve ser acompanhado de vegetais frescos, preferencialmente crus: folhas verdes, tomate, etc.

Entretanto, não se deverá consumir proteína menos de uma hora após o consumo de frutas, nem se devem consumir frutas — a fonte segura de carboidratos — menos de três horas após o consumo de proteínas.

Em resumo, o importante é não ir a nenhum extremo. O segredo da felicidade está no equilíbrio, dizem as escolas iniciáticas, com toda razão. Em se tratando de nutrição, vale a mesma regra.

Não nos custa nada repetir: o texto acima tem valor informativo, não tendo fins diagnósticos. Quem irá determinar a dieta da proteína ou cetônica ideal ao seu metabolismo é um médico.

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