O refrigerante que elimina gordura

Existe no mercado japonês um refrigerante à base de noz de cola que afirma diminuir a absorção de gordura. É a resposta às preces de todos amante do bom e velho refri?

13 de julho de 2014 • Por Mariana, em Alimentos, Destaques


Nenhum nutricionista recomenda o consumo de refrigerantes. A bebida não-alcoólica mais consumida do mundo é alvo de campanhas agressivas contra sua ingestão, sendo que alguns governos, vez por outra, desenvolvem leis tentando proibir a venda de refrigerantes.

Cientes disso, algumas empresas desenvolvem estratégias para diminuir a visão nutricionalmente negativa dos refrigerantes. A mais ousada vem do Japão: desde 2012 a Kirin, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo (e dona da Schincariol aqui no Brasil) vende em terras nipônicas um refrigerante que elimina gordura.

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Como uma bebida pode eliminar gordura?

Batizada com o nome  comercial de Mets Cola, o refrigerante que usa a famosa noz de cola em sua composição possui em sua composição um tipo de carboidrato chamado de dextrina.

A dextrina é um amido modificado, “quebrado” para ser um carboidrato simples (e antes que venham dizer, aviso: é uma simplificação para fins de entendimento). Ela não é digerida pelo estômago, sendo excretada em seu “estado bruto”.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, foram feitos testes em cobaias e notou-se que a dextrina restringe a absorção da gordura e isso fez com que os níveis de colesterol dos espécies usados (como sempre, ratos) ficassem baixos.

Como a dextrina não tem um sabor agradável, a Kirin desenvolveu uma fórmula (evidentemente mantida em segredo) que elimina o travo ruim deixado pelo carboidrato.

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O sucesso da bebida na Ásia atraiu a atenção da estadunidense Pepsico, que não tardou em lançar sua versão de refrigerante com dextrina cerca de seis meses após a pioneira Mets Cola, chamada de Pepsi Special. Ambos são encontrados apenas no Oriente e não há previsão de lançamento no restante do mundo.

Algumas considerações

É louvável a intenção da indústria de refrigerantes em tornar-se relevante no combate contra a obesidade, mas isso não mascara alguns pontos importantes:

  • Por mais que a dextrina possa eliminar a ingestão de gorduras, o refrigerante ainda é fonte de “calorias vazias” advindas do açúcar.
  • As versões sem açúcar usam adoçantes em doses elevadas, o que também é prejudicial à saúde a longo prazo.
  • É notória a má fama dos refrigerantes entre médicos em geral, já que eles não fornecem nenhum tipo de nutriente e apenas engordam.
  • Por mais que a dextrina seja usada na indústria alimentícia há muito tempo, os aditivos usados para mascarar seu sabor intragável são geralmente “segredos industriais”. Lembrem-se que graças à política de sigilo, a indústria do fumo escondeu durante décadas os malefícios do cigarro.

Nutricionistas sabem que lutar contra a bilionária indústria dos refrigerantes é tarefa árdua, e por isso os mais sensatos não chegam a proibir seu consumo, pedindo apenas muita moderação ao consumir quaisquer dessas bebidas.

Um último lembrete: de acordo com o Departamento de Saúde de Nova Iorque, um dos estados que lutam contra o consumo desenfreado de refrigerantes, uma garrafa de 300 ml da bebida por dia faz com que uma pessoa engorde 4 quilos por ano.

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