O refrigerante que elimina gordura

Existe no mercado japonês um refrigerante à base de noz de cola que afirma diminuir a absorção de gordura. Será a resposta às preces de todos amante do "refri"?

Nenhum nutricionista recomenda o consumo de refrigerantes. A bebida não alcoólica mais consumida do mundo é alvo de campanhas agressivas contra sua ingestão, sendo que alguns governos, vez por outra, desenvolvem leis tentando proibir a venda de refrigerantes.

Cientes disso, algumas empresas desenvolvem estratégias para diminuir a visão nutricionalmente negativa dos refrigerantes.

A mais ousada vem do Japão: desde 2012 a Kirin, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo (e dona da Schincariol aqui no Brasil) vende em terras nipônicas um refrigerante que elimina gordura.

Como uma bebida pode eliminar gordura?

Batizada com o nome comercial de Mets Cola, o refrigerante que usa a famosa noz de cola em sua composição possui em sua composição um tipo de carboidrato chamado de dextrina.

mets-cola

A dextrina é um amido modificado, “quebrado” para ser um carboidrato simples (e antes que venham dizer, aviso: é uma simplificação para fins de entendimento). Ela não é digerida pelo estômago, sendo excretada em seu “estado bruto”.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, foram feitos testes em cobaias e notou-se que a dextrina restringe a absorção da gordura e isso fez com que os níveis de colesterol dos espécimes usados (como sempre, ratos) ficassem baixos.

Como a dextrina não tem um sabor agradável, a Kirin desenvolveu uma fórmula (evidentemente mantida em segredo) que elimina o travo ruim deixado pelo carboidrato.

O sucesso da bebida na Ásia atraiu a atenção da estadunidense Pepsico, que não tardou em lançar sua versão de refrigerante com dextrina cerca de seis meses após a pioneira Mets Cola, chamada de Pepsi Special. Ambos são encontrados apenas no Oriente e não há previsão de lançamento no restante do mundo.

Algumas considerações

É louvável a intenção da indústria de refrigerantes em tornar-se relevante no combate contra a obesidade, mas isso não mascara alguns pontos importantes:

  • Por mais que a dextrina possa eliminar a ingestão de gorduras, o refrigerante ainda é fonte de “calorias vazias” advindas do açúcar.
  • As versões sem açúcar usam adoçantes em doses elevadas, o que também é prejudicial à saúde em longo prazo.
  • É notória a má fama dos refrigerantes entre médicos em geral, já que eles não fornecem nenhum tipo de nutriente e apenas engordam.
  • Por mais que a dextrina seja usada na indústria alimentícia há muito tempo, os aditivos usados para mascarar seu sabor intragável são geralmente “segredos industriais”. Lembrem-se que graças à política de sigilo, a indústria do fumo escondeu durante décadas os malefícios do cigarro.

Nutricionistas sabem que lutar contra a bilionária indústria dos refrigerantes é tarefa árdua, e por isso os mais sensatos não chegam a proibir seu consumo, pedindo apenas muita moderação ao consumir quaisquer dessas bebidas.

Um último lembrete: de acordo com o Departamento de Saúde de Nova Iorque, um dos estados que lutam contra o consumo desenfreado de refrigerantes, uma garrafa de 300 ml da bebida por dia faz com que uma pessoa engorde 4 quilos por ano.

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