Os alimentos milagrosos

Promessas de emagrecimento, de cura do câncer, da eliminação da caspa; os chamados alimentos milagrosos são férteis em promessas. Algumas delas são verdadeiras?

19 de fevereiro de 2015 • Por Mariana, em Comportamento, Dicas e Dietas


Desde o início desse blog, um dos lemas que norteiam nossos textos é: alimentos milagrosos, e por conseguinte dietas que prometam milagres, não existem. Quanto alguma dessas “maravilhas” insiste em pousar em minha caixa de mensagens, pesquiso e pergunto usando fontes sérias para, sem exceção, demoli-las.

Uma longa e esclarecedora reportagem do jornal inglês The Guardian ajuda a colocar esses alimentos milagrosos em seu devido lugar na cadeia alimentar humana usando evidências científicas.

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O poder da sedução do marketing

Os alimentos milagrosos e seus nutrientes são jogados em cima de nós de forma incessante graças a fatores quase sempre mercadológicos. Acompanhe a cadeia de sedução que induz ao consumo:

  • Uma bancada de bem-intencionados pesquisadores debruça-se sobre um alimento qualquer – vamos usar como exemplo a chia.
  • A chia tem seus nutrientes dissecados e contabilizados, e começam-se as pesquisas usando células humanas in vitro e cobaias.
  • Os resultados incipientes são naturalmente publicados, usando palavras cautelosas para descrever os efeitos tanto benéficos quanto deletérios.
  • A indústria de alimentos saudáveis concentra-se apenas nos bons resultados e os amplia em manchetes, usando confiáveis jargões científicos como “ricos em antioxidantes que promovem o equilíbrio dos radicais livres”.
  • Como coup de grâce, cooptam uma celebridade para que o alimento milagroso mostre seus maravilhosos efeitos em seu sempre bem torneado e perfeito corpo.

O que há de milagroso nesses alimentos?

Nada. A combinação de determinadas substâncias e nutrientes não faz de um alimento um milagre em forma de fruto, flor ou semente. Sequer os efeitos propagandeados podem ser comprovados cientificamente, já que seus efeitos foram baseados em pesquisas em estágio inicial feitos, como dito acima, em células específicas ou em cobaias.

Há também o uso excessivo de nomenclatura técnica para dar credibilidade aos supostos efeitos sobre determinados aspectos naturais do nosso metabolismo. Vamos exemplificar isso usando os famosos radicais livres.

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Radicais livres: bons ou maus?

Um adendo antes de começarmos: iremos simplificar os conceitos para que sejam de fácil entendimento.

Os radicais livres são elementos instáveis que são produzidos graças a quaisquer reações químicas que usam oxigênio em nosso organismo.

Essa instabilidade se dá porque o radical livre perde um elétron nesse processo. Quando isso acontece, o radical livre “rouba” um elétron de outro elemento, que pode ser outra célula ou mesmo do DNA.

Esse roubo causa o que se convencionou chamar de estresse oxidativo, reconhecidamente ligado a problemas como diabetes, câncer e problemas do coração.

Contudo, os radicais livres também ajudam a eliminar bactérias e participam dos processos de comunicação entre células, inclusive as sinapses entre os neurônios.

Ou seja, concentrar-se apenas nos malefícios e ignorar os benefícios podem destruir um delicado equilíbrio metabólico e hormonal.

Então, os chamados alimentos milagrosos não devem ser consumidos?

Muita calma nessa hora, afoita leitora. Os alimentos existem e se você gosta do aroma e do sabor e não é alérgica a eles, não há problema algum em consumi-los.

O que não pode acontecer é a pessoa supor que esses alimentos são a salvação dos seus problemas através da dieta. Ninguém se cura de nenhuma doença ou emagrece sem que atitudes cientificamente comprovadas sejam tomadas.

Considerações finais

No caso específico de dietas para manutenção ou perda de peso, a receita continua sendo a mesma de sempre:

  • Aumentar o consumo de legumes, verduras e frutas, fontes seguras de vitaminas e nutrientes.
  • Comer porções moderadas de proteínas animais e gorduras, mas jamais eliminá-las por completo.
  • Diminuir drasticamente ou mesmo eliminar o consumo de alimentos processados e refinados.
  • Não demonizar nenhum tipo de alimento. No final das contas seu corpo vai considerá-lo apenas fonte de energia. É você quem determina quais fontes consumir.
  • Eliminar o sedentarismo.

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