Os países com maior número de obesos no mundo

Pesquisas financiadas por Bill Gates enumeram o número de obesos no mundo e seu crescimento em trinta anos.

A quantidade de obesos no planeta aumentou significativamente nos últimos 30 anos, segundo um abrangente estudo da Fundação Bill e Melinda Gates.

Em números, houve um aumento de cerca de 70% da população obesa entre 1980 e 2013 em 188 países aferidos. Hoje, estima-se haver 2,1 bilhões de pessoas com excesso de peso em diversos níveis, que vão do sobrepeso à obesidade mórbida.

Metade desses 2 bilhões de pessoas concentra-se em 10 países, não por acaso os que possuem maior densidade populacional (número de pessoas por metro quadrado).

A importância desses estudos

A obesidade é reconhecidamente a porta de entrada de diversas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, dislipidemia (excesso de gordura na corrente sanguínea) e cardiopatias diversas (arritmias cardíacas, infartos).

Alguns tipos de cânceres também estão ligados ao excesso de peso, além de problemas estomacais e disfunções em órgãos nobres, como o fígado e os rins.

No Brasil, segundo estudos da UnB (Universidade de Brasília), o SUS gasta cerca de R$ 490 milhões por ano no tratamento de doenças ligadas à obesidade. Quando se sabe quais são as causas, é possível traçar políticas públicas de prevenção, bem mais baratas e efetivas.

Os 10 países mais obesos do mundo

Os número abaixo são absolutos, ou seja, não levam em consideração a relação percentual entre a população do país e seu número de pessoas com sobrepeso ou obesas. A pesquisa também mostrou as porcentagens de homens e mulheres obesos.

  1. Estados Unidos – 86, 9 milhões, com 33,9% mulheres e 31,7% homens obesos.
  2. China – 62 milhões, com 5% mulheres e 3,8% homens obesos.
  3. Índia –  40,4 milhões, com 4,2% mulheres e 3,7% homens obesos.
  4. Rússia – 29,2 milhões, com 28,5% mulheres e 15,3% homens obesos.
  5. Brasil – 26,2 milhões, com 20,6% mulheres e 11,7% homens obesos.
  6. México – 24, 9 milhões, com 32,7% mulheres e 20,6% homens obesos.
  7. Egito – 21,8 milhões, com 48,4% mulheres e 26,4% homens.
  8. Alemanha – 17,1 milhões, com 22,5% mulheres e 21,9% homens.
  9. Paquistão – 16,7 milhões, com 14,3% mulheres e 14,4% homens.
  10. Indonésia – 15,1 milhões, com 8,3% de mulheres e 5.4% homens.

México é o país com maior porcentagem de obesos no mundo

Durante anos, os Estados Unidos se mantiveram em primeiro lugar, em números absolutos, como o país com maior números de pessoas com sobrepeso e obesas. Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) veiculado pelo jornal britânico Daily Mail mostrou que o México ultrapassou os EUA nesse quesito.

Os números da pesquisa

Segundo o relatório, cerca de 70% da população mexicana está com sobrepeso e 32,8% é considerada obesa. Graças a esses números, o México ultrapassou os números de obesidade de países do chamado Primeiro Mundo. Veja o ranking que afere a população obesa veiculada pela ONU:

  1. México – 32,8%;
  2. EUA – 31,8%;
  3. Nova Zelândia – 26,5%;
  4. Chile – 25,1%;
  5. Austrália – 24,6%;
  6. Canadá – 24,2%;
  7. Reino Unido – 23%;
  8. Irlanda – 23%;
  9. Luxemburgo – 22,1%;
  10. Finlândia – 20,2%

As causas da obesidade

Os mexicanos transformaram os tradicionais petiscos pelos quais são mundialmente conhecidos em alimentos que fazem parte do cardápio diário em almoços e jantares. Tacos, tamales e tostadas (chamadas jocosamente de fontes de vitamina T pelo jornal Daily Mail) uniram-se ao junk food e aos refrigerantes e tomaram de assalto restaurantes, cantinas de escolas e lares de forma quase epidêmica.

As causas da procura por esse tipo de alimentação tem origem social. Os níveis de pobreza no México são preocupantes, e comidas ricas em gorduras saturadas, açúcar e carboidratos simples são mais baratos. Não por acaso, o número de mexicanos obesos cresce principalmente entre a camada da população mais pobre.

Os perigos da obesidade

A obesidade entre o povo mexicano esconde alguns males perversos. O excesso de gordura corporal não mostra, mas esses obesos camuflam casos de desnutrição severa. Com a quase inexistência de grãos integrais, fibras, vitaminas e minerais na dieta, os mexicanos estão paradoxalmente mais gordos e menos saudáveis.

Além disso, há ainda os males que a obesidade causa: diabetes, pressão alta, dislipidemia (altos níveis de colesterol e triglicérides), derrames cerebrais, problemas respiratórios. O governo do México não conseguiu desenvolver uma política de combate à desnutrição e à obesidade.

E o que nós, brasileiros, temos a ver com isso?

O Brasil, embora não esteja entre os dez países com maior porcentagem de obesos, também enfrenta, em alguns níveis sociais, questões semelhantes. Muitas famílias sobrevivem com salários baixos e o acesso a alimentos baratos e altamente calóricos é fácil e alto.

É muito mais barato, por exemplo, comprar uma peça de um embutido qualquer (mortadela, apresuntado) do que alguns legumes, frutas e verduras.

Não bastasse isso, há a questão da durabilidade: por que gastar comprar alimentos que se deterioram com rapidez se é possível comprar um pedaço de linguiça que dura uma semana na geladeira?

Comer junk food é inúmeras vezes mais barato e a pressa faz com que duas coxinhas e um litro de refrigerante sejam alternativas viáveis à realidade daquela pessoa.

Os números de obesos no México devem servir de alerta tanto para quem pode se alimentar de forma correta quanto para os governantes que deveriam prezar pela prevenção de doenças em primeiro lugar. No frigir dos ovos, é muito mais barato evitar uma epidemia de sobrepeso do que arcar com os gastos no tratamento de diabéticos, hipertensos e demais doenças crônicas.

A maioria dos brasileiros está acima do peso

Há pouco tempo, reproduzimos o informe da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre os níveis de sobrepeso e obesidade no mundo, que dizia que o México ultrapassou, pela primeira vez, os Estados Unidos como o país com maior número de pessoas acima do peso no mundo. Relembre a nota com detalhes aqui.

No dia 27 de agosto de 2013 o Ministério da Saúde divulgou dados sobre os níveis de sobrepeso e obesidade no Brasil que reforça o alerta dado por esse blog no texto cujo link está no parágrafo acima.

Os números da obesidade no Brasil

A pesquisa, capitaneada pelos dados colhidos por telefone pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas, informa que 54% dos homens e 48% das mulheres acima de 18 anos está acima do peso considerado ideal.

Cruzando-se os dados oferecidos pela pesquisa, descobriu-se que o nível de escolaridade do indivíduo influi na obesidade. Acompanhe.

  • 57,3% da população acima do peso tem até oito anos de escolaridade.
  • 46,7% das pessoas com sobrepeso ou obesas tem entre nove e onde anos de estudo formal.
  • 48,4% dos pesquisados acima do peso tem 12 ou mais anos de estudo.

O estudo entrevistou 45 mil pessoas acima de 18 anos em 26 capitais e no Distrito Federal e ainda mesurou a capital com maior porcentagem de adultos acima do peso: foi Campo Grande (MS), com 56%, seguidas de Porto Alegre (RS) e Rio Branco (AC) com 54% e Fortaleza, com 53%.

Ações governamentais e pessoais

A coleta de dados estatísticos sobre a obesidade é importante para que o Ministério da Saúde desenvolva programas que visem a elaboração de programas de incentivo à qualidade de vida e à prática de atividades físicas.

Governos estaduais e municipais querem que isso comece na elaboração das merendas escolares. Algumas cidades já limitaram a presença das famosas cantinas e seus produtos repletos de sal, açúcar e gorduras. O cardápio das merendas recebem maior atenção, incluindo nutrientes essenciais.

Contudo, assim como no México, o grande problema para que os bem intencionados programas governamentais sejam implementados no dia a dia é a realidade da maioria das famílias brasileiras.

O acesso a alimentos saudáveis esbarra em um salário mínimo que não cobre integralmente as necessidades de uma família, na falta de uma infraestrutura mínima para a prática de atividades físicas e demais problemas sociais fartamente conhecidos.

O primeiro passo foi dado: considerar a obesidade uma doença crônica, mesurá-la e planejar um contra-ataque efetivo. Mas é preciso empenho de governantes e da família, em conjunto e de forma igualitária.

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