Os vilões da obesidade

Afinal, de quem é a culpa pela epidemia de obesidade que grassa pelo mundo?

De quem é a culpa pela atual epidemia de obesidade? O que não faltam são pesquisas, estudos, suposições e as inevitáveis “demonizações da semana” sobre alguns nutrientes. Não podemos ser levianos e atacar esse ou aquele motivo de forma isolada.

Mas algumas suposições levantadas por quem estuda nutrição devem ser acatadas e postas à luz de uma observação mais abrangente. Duas dessas presunções foram alvo de diversas reportagens: a gordura e o estilo de vida moderno.

O acesso ilimitado à gordura

Tim Benton, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido especializado em segurança alimentar, usa suas memórias e fatos comprovados para mostrar o avanço da gordura como principal fonte de calorias da população mundial.

Até a década de 1960, no século passado, óleos vegetais eram caros e bastante difíceis de serem encontrados, o que tornava seu consumo pela população algo digno de pompa e circunstância.

Com o aumento da produção de grãos para a produção desses óleos, eles se tornaram abundantes e comuns, sendo usados sem a menor parcimônia como eram antigamente. Frituras, saladas, conservas; tudo o que poderia ser feito com o auxílio de óleos vegetais era fartamente utilizado.

Os óleos de soja e palma são parte dos oito alimentos que fornecem, segundo estudos, 85% das calorias ingeridas pelo mundo. Os outros ingredientes são: batata, açúcar, cevada, trigo, arroz e milho.

O acesso a mais calorias e menos nutrientes

Junte a tudo isso às facilidades que o uso dos óleos proporcionaram à multimilionária indústria de alimentos. Acordos comerciais internacionais facilitaram a importação de grãos que produzem esses óleos.

Somente o Brasil, o segundo maior produtor de soja do mundo, produziu 95 milhões de toneladas desse grão na safra 2015/2016, seguindo dados da Embrapa.

A maior durabilidade de diversos alimentos processados deve-se ao uso de óleos como conservantes. Mesmo quando tentamos reduzir o consumo de gorduras, acabamos por ingerir óleos por tabela ao usar um simples tablete de caldo de carne, por exemplo.

O estilo de vida que engorda

Há outra vertente de pesquisas que preconiza o que foi chamado de “globalização social”. De acordo com essa linha de estudos, não é a alimentação a principal culpada pela obesidade mundial; a responsabilidade maior é da falta de movimento corporal que poderia nos ajudar a queimar calorias.

Não precisamos mais andar longas distâncias para comer, trabalhar, comprar e interagir com outras pessoas. Os facilitadores da vida moderna, dos elevadores aos carros e aviões, nos tornaram sedentários por omissão.

Não gastamos mais energia para nos locomovermos e fazer tarefas cotidianas como fazíamos até metade do século passado. E se nos compararmos com nossos ancestrais, o embate seria ainda mais injusto; se antes tínhamos que caçar, coletar frutos, plantar verduras e caminhar grandes distâncias para termos o que comer e o que vestir, hoje basta que tenhamos um carro para ir ao mercado ou uma conexão de Internet veloz para que façamos nossas compras online.

O que fazer?

Saber as causas da epidemia de obesidade já é um grande passo. Basta que nos adaptemos à nossa modernidade. Emagrecer envolve uma equação bastante simples: gastar mais calorias do que consumimos. Basta termos uma alimentação equilibrada, mesmo com todos os agravantes causados pela comida industrializada, e unirmos isso a uma rotina com atividades físicas que consumam calorias de forma eficaz.

Temos acesso a médicos e nutricionistas que podem nos auxiliar, temos boas fontes de informação sobre alimentos e exercícios, e o mais importante: temos força de vontade para sairmos desse labirinto autoimposto pela modernidade.

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