Por que é tão fácil engordar?

Essa pergunta é feita sempre quando nos deparamos com a balança. Que tal saber porque engordar é fácil a sério, sem torná-la um a pergunta retórica?

21 de junho de 2014 • Por Mariana, em Alimentos, Comportamento, Destaques


O mundo vive uma estranha e cruel dualidade: enquanto busca-se o peso ideal e sabe-se o que fazer para que isso seja realidade (o velho, batido, surrado mas verdadeiro binômio “dieta equilibrada-exercícios físicos”), convivemos com rotinas que tornam as pessoas sedentárias e mais gordas.

Tecnologias que nos livraram de esforços físicos extenuantes aliam-se à cultura fast-food repleta de gorduras e açúcar, que grassa as cozinhas, restaurantes, supermercados e quiosques. Junte-se a isso milênios de evolução humana e o palco está armado: vivemos a era dos obesos.

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A obesidade segundo números oficiais

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aferiu em sua Pesquisa dos Orçamentos Familiares (POF) dados que não deixam dúvidas sobre o quadro epidêmico da obesidade no Brasil.

  • No biênio 2008-2009, 50,1% dos homens estavam com sobrepeso e 12,4% eram considerados obesos.
  • No mesmo período, 485 das mulheres estavam com excesso de peso e um assustador percentual de 16,9% delas eram obesas.
  • Para efeitos de comparação, na primeira POF, feita entre os anos de 1974 e 1975, a obesidade masculina chegava a 2,8% e a feminina, 8%.


Afinal, por que é tão fácil engordar?

Não é tão difícil responder a essa pergunta; basta observar o cotidiano das pessoas nas cidades cada vez mais urbanas.

Sedentarismo e esforços físicos mínimos – Antes, trilhávamos a distância entre dois locais quaisquer andando a pé ou de bicicleta. Mesmo os felizes proprietários de automóveis tinham que desprender de algum esforço para dirigir (volantes duros, manivelas para subir e descer os vidros, sistemas de câmbio manuais).

No trabalho, certas funções dependiam de verdadeiros sessões aeróbicas e anaeróbicas de exercícios. Alguns trabalhos gastavam tantas calorias quanto uma maratona.

Basta olhar os carros com direção automática, a redução dos movimentos físicos graças a maquinários especialmente criados para evitar o esforço e o enorme número de veículos motorizados para ver o quanto deixamos de nos movimentar.

Comidas rápidas, calóricas e com porções cada vez maiores – Sejamos francos: alguém mudou a rotina alimentar após ter assistido ao impactante documentário “Super Size Me – A Dieta do Palhaço”? Não só não houve mudança significativa alguma, como as porções dos lanches das redes de fast-food tornaram-se cada vez maiores.

Sanduíches com mais bacon. Copos com um litro de refrigerante. Molhos e cremes repletos de sal e gordura. Pastéis com cada vez mais recheios. E pessoas como cada vez menos tempo para comer. A comodidade é amiga do sedentarismo: a bebida gaseificada com duas coxinhas sempre estarão à disposição a um preço módico.

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Crescimento de eventos estressantes – Prazos. Horários corridos. Exigências familiares e profissionais. A ligação entre a síntese de corticoides e adrenérgicos e a obesidade é notória, tanto pelos efeitos hormonais quanto pela ansiedade que nos faz comer mais.

O uso da comida como prêmio – É um traço cultural e até mesmo atávico (a herança biológica de nossos antepassados). Quantos de nós já não teve um pensamento semelhante a esse: “Caramba, paguei todas as minhas contas em dia, mandei bem na prova, alcancei e superei as metas que meu chefe me deu; eu MEREÇO comer (insira comida calórica doce ou salgada de sua preferência)!”

Colocar a comida em um pedestal e considerá-la uma retribuição é um resquício da infância que não é facilmente debelado; aliás, esse hábito continua sendo disseminado geração após geração.


O que fazer para evitar isso?

O primeiro passo é admitir que essa não é uma tarefa fácil. Para sermos terrivelmente sinceros, é muito difícil não ser obeso nos dias de hoje.

A luta pessoal de um indivíduo irá se chocar com séculos de hábitos arraigados e uma indústria alimentícia bilionária e bem armada em termos de marketing.

Conhecendo seu adversário, é só pensar em sua vida e em suas conquistas. Foi fácil conseguir seu emprego? Foi fácil relacionar-se com a(s) pessoa(s) amada(s)? Alguma coisa em sua vida simplesmente caiu do céu?

Disciplina, tenacidade, resiliência e um pouco de teimosia (por que não?) fazem parte da estrada magra. Basta que você tenha disposição em trilhá-la.

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