Programa de tevê faz “terapia de choque” com gordinhos.

Não é novidade que programas de televisão tentem disfarçar seu caráter de entretenimento confrontando obesos com aspectos desagradáveis de sua realidade. Programas questionáveis de “entretenimento” costumam ser cruéis à guisa de “educar” os espectadores.

17 de março de 2016 • Por Mariana, em Comportamento


Não é novidade que programas de televisão tentem disfarçar seu caráter de entretenimento confrontando obesos com aspectos desagradáveis de sua realidade, e isso sob diversas formas. Programas como “Perder para Ganhar”, em que duas equipes formadas por obesos ficam competindo para ver quem emagrece mais, ou o tradicional “Você é o que Você Come” (que também virou livro, e sei lá mais o quê) — que mostrava cenas das pessoas fazendo colonoscopia, por exemplo — costumam ser cruéis à guisa de “educar” os espectadores.

Mas se existe algo de que sempre se pode esperar mais é da criatividade dos produtores de tevê.

Foi notícia hoje em vários portais de notícias um programa de tevê da BBC (“Big Meets Bigger”, ou “Grande Encontra Maior”), que em resumo pega gente gorda de alguma parte do mundo e os leva para ver a realidade de gente ainda mais gorda em outra parte qualquer.

Alguns lugares do mundo são famosos pela obesidade da população (e não falamos apenas de Estados Unidos e suas redes de “trash food”), e fazer um intercâmbio não é das coisas mais difíceis.

A premissa básica do programa parece ser a de fazer pessoas gordas se chocarem com a realidade de gente ainda mais gorda que não vive, vegeta. Na prática, parece-me ser mais um enlatado midiático que tem como objetivo mostrar a feiura e a desgraça de pessoas que perderam tudo em termos de amor próprio e autoestima.

Raros são os programas de televisão que valorizam a estética do que não seja esquelético. Normalmente as emissoras de tevê (e outros veículos, claro) apresentam quadros de dez minutos mensais sobre como modelos “plus-size” podem ser belas e sensuais, e o restante do tempo ficam espalhando a estética do esquálido (que tem que caprichar na maquiagem para não parecer ter cara de doente).

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Todo mundo já ouviu que a virtude está no equilíbrio. Assim como seria importante que os veículos de mídia parassem de explorar com sensacionalismo a realidade de pessoas que perderam seus próprios pontos de equilíbrio, é fundamental que o espectador tenha espírito crítico para filtrar as informações (sempre tendenciosas) que recebe. Claro que não estou defendendo o sobrepeso, ou a doença como estilo de vida, mas sim estou defendendo o direito de as pessoas não serem condicionadas a pensar que todo gordo é um ser inútil que só vive comendo e esperando a morte chegar.

Em tempo: as fotografias foram intencionalmente omitidas deste texto.

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1 comentário

  • Alcides • 10/08/2010

    Senhores, no caso em tela, o que tenho percebido, é que há uma gande confusão entre mulher gorda, obesa e aquela que infelizmente sofe de obesidade morbida.

    Basta que se veja as fotos que são exibidas, pelos idiotas que se dizem contra as gordas.

    Somente entendem como gordas as de maior peso, ou então, qualquer muhler com 1,65m, que pese mais que 55 quilos. Vão com facilidade e desconhecimento, do 8 ao 80, sem analise de seus atos e/ou palavras.

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