Reeducação Alimentar e Reeducação Financeira

Qual a relação entre reeducação alimentar e reeducação financeira? Podem dois assuntos tão diversos estar de alguma forma relacionados? Descubra aqui.

08 de setembro de 2014 • Por Mariana, em Comportamento

Este é um post de um autor convidado, que preferiu não se identificar.

Separei-me há vários anos, e um dos motivos mais fortes que levaram meu relacionamento ao fim foi uma crise financeira sem tamanho: apesar de minha mulher e eu trabalharmos e termos salários “compatíveis com o mercado” o dinheiro sempre era insuficiente, vivíamos atolados em dívidas e sofríamos com a privação de liberdade implicada pela falta de recursos para o lazer.

Balance_Scale_MoneyOutro problema que me levou à separação foi o excesso de peso. Minha mulher e eu éramos “fortinhos” quando nos conhecemos, mas eu acabei engordando muito, e atraindo para mim problemas de saúde que acabaram afetando nossa intimidade.

O casamento terminou, as coisas para mim ficaram ainda piores financeiramente falando, mas eu deixei de ser muito gordo e voltei a ser apenas gordo. Foram anos de inferno financeiro até que finalmente consegui dar uma guinada a meu favor na vida.


A reeducação financeira

Num belo dia (mentira: foi um dos piores dias da minha vida) eu resolvi que precisaria resolver meus problemas financeiros: não importava o quanto eu ganhasse, estava sempre devendo, sempre com restrições de crédito; já havia mais de quinze anos que eu trabalhava sem ter um único dia de descanso. Se o dinheiro entrava, por que era insuficiente?

Então, tomei a atitude mais dolorosa e “humilhante” (para o ego): comecei a anotar cada gasto, e cada dinheiro ganho, num caderninho. Até tentei com planilhas no computador, mas só mesmo o caderninho e o lápis me permitiram uma “apropriação” do processo de reeducação financeira.

Quando digo “humilhante” é porque os amigos passaram a me chamar de avarento, de neurótico, virei alvo de piada. Cada refrigerante, cada bala, cada boleto, tudo ia para o caderninho. Foi difícil demais no começo, mas felizmente perseverei, e com o tempo as piadinhas cada vez menos me afetavam, até o ponto de eu ficar indiferente a elas.

No final do primeiro mês de anotações sentei com mais papel e caneta e categorizei os gastos entre indispensáveis e supérfluos; categorizei por alimentação, saúde, moradia, etc. E descobri que eu torrava muito, muito dinheiro em cafezinho, revistas, doces, lanches, enfeites para a casa… Desperdiçava tanto que não sobrava para comprar sapatos, meias, ou outros itens de necessidade real.

O choque de realidade foi duro, mas finalmente consegui a pouco e pouco tomar consciência dos meus gastos, e finalmente controlar os impulsos por consumir bugigangas: livros que eu nunca leria, CDs que eu nunca escutaria, DVDs que eu nunca veria, por exemplo.

Em seis anos liquidei todas as minhas dívidas, e exatamente no dia primeiro de maio de 2012 comecei a guardar dinheiro pela primeira vez na vida. Depois dessa data consegui algumas conquistas materiais importantes, como carro novo e casa própria (esta financiada, mas a prestação custa menos do que eu gastava de aluguel), e hoje tenho economias suficientes para viver por seis meses, caso minhas fontes de receita estanquem de um momento para o outro.


A reeducação alimentar

Choice Apesar de no decorrer destes anos todos eu ter tido sucesso em minha reeducação financeira, não posso dizer que, até agora, eu tivesse tido o mesmo sucesso quanto a meu problema de excesso de peso.

Na verdade, as coisas pioraram desde aquele marco que foi minha separação: eu reduzi o peso, depois fui ganhando mais e à medida que envelhecia as doenças associadas à obesidade foram marcando presença em meu corpo.

carregando…

Até que, de repente, entendi que o processo de reeducação alimentar teria de necessariamente passar pelas mesmas etapas da minha reeducação financeira.

E então eu delineei o plano abaixo, que está sendo seguido à risca.

  • Acessei a Calculadora de Metabolismo Basal aqui mesmo deste site e descobri o meu gasto calórico diário.
  • Defini o peso ideal a que pretendo chegar, e a meta de perda de peso semanal (um quilo por semana).
  • Sabendo que, em linhas gerais, um quilo no corpo representa 7.000kcal, defini que minha meta seria consumir diariamente 1000kcal a menos do que meu gasto calórico (o que não recomendo para todo mundo, já explico).
  • Comprometi-me a fazer seis refeições diárias (café, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, janta e “ceia”).
  • Comprei um caderninho no qual anoto cada refeição: quantidade, cada item consumido, e o horário.
  • No final do dia vou para a Internet e pesquiso os valores nutricionais de cada alimento consumido, e faço o cálculo das calorias diárias. Até agora em todos os dias consegui consumir abaixo da meta que 1000kcal a menos que meu gasto calórico total.

Agora, cabem algumas observações.

A meta de 1kg por semana se aplica a mim porque estou muitos quilos acima da minha meta (mais de 50kg). Quem precisa perder menos peso deve ser mais realista consigo mesmo. Da mesma maneira como levei seis anos para pagar todas as minhas dívidas e resolver os problemas financeiros adquiridos durante toda minha vida pregressa, tenho ciência que para chegar ao meu peso ideal precisarei de tempo para que a mudança seja duradoura.

Não incluí em meu plano o objetivo de consumir de dois a três litros de água por dia. Ninguém quer apenas “perder peso”, mas sim emagrecer com saúde, portanto é necessário tomar todos os cuidados para não cair em desidratação.

Não está citada, mas a atividade física é extremamente importante (até para que o emagrecimento não gere flacidez, e para que a massa gorda seja substituída por massa magra).

É importante ser honesto consigo mesmo quanto ao processo todo. Não adianta “esquecer” de anotar guloseimas ou quaisquer outros consumos de alimentos, pois ninguém muda baseado em mentiras.

A ideia é apropriar-se do processo de reeducação alimentar, e não privar a si mesmo de nada. Depois de uma semana já estou me vendo decidindo entre um refrigerante ou um suco, ou entre um sorvete e uma fruta, baseado no meu objetivo de, ao final do dia, não exceder o limite de calorias que eu mesmo defini.

Por fim, “deslizes” acontecem, e não são motivo para culpa ou pânico, porém eles não podem acontecer com menos de sete dias de espaçamento entre um e outro. Ou seja, se hoje eu comer bolo de aniversário com coxinha na confraternização da empresa, somente daqui a sete dias me permitirei a possibilidade de outro deslize. Sem exceções.

Por fim, o processo de emagrecimento pode ser muito acelerado com o uso de suplementos alimentares especializados. Eu faço uso do Biomelt antes das principais refeições, e do GojiActives logo após. Mas, reitero, o importante é o processo de reeducação, e não os suplementos em si.

E, é claro, o óbvio: nunca se automedique, e procure sempre a orientação de um profissional de saúde (médico ou nutricionista) para acompanhar o seu processo de emagrecimento, principalmente se você tiver patologias associadas ou não à obesidade.

Compartilhe

 

Este site site não é farmácia ou consultório médico. Não brinque com sua saúde. Não se automedique. Consulte seu médico, e não confie no que ler na Internet, nem mesmo neste site.

Deixe seu comentário!