Síndrome do Pânico e Distúrbios do Peso

A ligação entre a síndrome do pânico e distúrbios alimentares tem origem literalmente profunda, pois ambos originam-se no cérebro e em suas sinapses.

29 de julho de 2015 • Por Mariana, em Comportamento, Destaques


A síndrome do pânico é uma das mais devastadoras e incompreendidas patologias psiquiátricas. Devastadora porque a pessoa que sofre os temidos surtos vive à sombra do medo e do desespero; incompreendida porque quem observa de fora não leva a sério os sintomas, tomando-os como fraqueza de origem moral.

Não raro, graças à junção da doença em si e do que a sociedade pensa sobre ela, há um elo entre a síndrome do pânico e distúrbios de peso.

 

Os neurotransmissores envolvidos nos temidos distúrbios alimentares, como a já citada anorexia nervosa, também sofrem com a ação da síndrome do pânico, embora não haja nenhuma relação íntima entre os dois transtornos.

Tentaremos explicar aqui, de forma resumida e leiga, a síndrome do pânico.


O que é a síndrome do pânico

Os psiquiatras chamam o mal de transtorno do pânico, mas iremos usar o termo “síndrome do pânico” por ser mais popular.

A síndrome do pânico acomete mais as mulheres, cerca de quatro vezes mais do que os homens, e ocorre geralmente entre os 20 e 35 anos, justamente o período em que a pessoa está no auge do desenvolvimento físico e pessoal.

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A síndrome do pânico é geralmente ativada por conta do descontrole de dois neurotransmissores: a serotonina e a noradrenalina, responsáveis pelo controle do humor, ansiedade, sono e apetite

Não há um gatilho consensual que ativa a síndrome do pânico, mas os sintomas são basicamente os mesmo em todos os casos:

  • Taquicardia intensa (sensação de “coração saindo pela boca”).
  • Sudorese.
  • Falta de ar.
  • Tremor intenso nas pernas, a ponto de deixá-las bambas.
  • Náuseas.
  • Dores estomacais.
  • Medo de morrer ou enlouquecer.


Mecanismo de ação da síndrome do pânico

Não há nenhum alerta prévio para que a síndrome do pânico aconteça. Geralmente ela acontece de forma abrupta e a crise costuma atingir o auge dez minutos após o início.

A pessoa sente uma ansiedade enorme, os sintomas acima citados chegam um atrás do outro e a sensação de que algo horrível irá acontecer paralisa e amedronta.

Se os ataques de pânico não forem devidamente diagnosticados e tornarem-se frequentes – considera-se um caso grave quando os surtos acontecem a cada quatro dias – a pessoa passa a desenvolver o que os psiquiatras chamam de ansiedade antecipatória.

A ansiedade antecipatória faz com que a pessoa tema sair de casa, com medo de sentir medo e desenvolvendo agorafobia, o medo de permanecer em locais públicos. Ou seja, a síndrome do pânico não tratada pode trazer junto mais uma patologia psiquiátrica.

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Consequências práticas da síndrome do pânico

Quem sofre de síndrome do pânico acumula prejuízos financeiros e afastamento social. O desenvolvimento da agorafobia faz com que muitas pessoas abandonem o emprego por não ser capaz de sair de casa sozinho.

Além disso, as idas constantes a prontos socorros e médicos que não reconhecem os sintomas do transtorno faz com que muito se gaste com exames e consultas muitas vezes inúteis.

Os amigos se afastam pouco a pouco porque o comportamento de quem sofre ataques de pânico torna-se arredio, irritadiço e por vezes desagradável.

Os familiares geralmente não suportam por tempo demasiado mudanças bruscas de rotina graças ao medo de sair sozinho do paciente com síndrome do pânico.


Os distúrbios do peso

Como a síndrome do pânico causa distúrbios nos neurotransmissores responsáveis, em última análise, pelo bom convívio social, já que são responsáveis pelo bom humor, o sono e a fome, é comum que a pessoa busque refúgio contra o medo na comida.

Não é uma regra escrita em pedra, mas há relatos de pacientes com síndrome do pânico que desenvolvem três tipos de distúrbios alimentares:

  • Anorexia nervosa;
  • Bulimia;
  • Transtorno do comer compulsivo.

Essas patologias costumam interferir negativamente no modo com que amigos e familiares interagem com o paciente. Se comem demais, são chamados de glutões; se não comem, consideram isso “frescura”, pura e simplesmente.


Tratamentos para a síndrome do pânico

Quem diagnostica e prescreve os tratamentos para o transtorno é o médico psiquiatra, e sempre após a eliminação de episódios específicos que podem ser confundidos com síndrome do pânico. Veja alguns exemplos:

  • Sintomas do hipertireoidismo, semelhantes em alguns pontos.
  • Uso de drogas estimulantes como cocaína e ecstasy.
  • Consumo de anfetaminas, principalmente por mulheres que querem emagrecer.

O tratamento para a síndrome do pânico é multifatorial e envolve terapia comportamental e clínica, com antidepressivos, inibidores de recaptura de serotonina e demais fármacos que o psiquiatra achar necessário.

O tempo de tratamento ideal é de um ano, e não pode ser abandonado, pois episódios de recaída são mais frequentes entre os pacientes que sofrer de ataques de pânico.

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