Síndrome metabólica

A síndrome metabólica é um dos males da vida moderna cujas causas remetem à obesidade e ao diabetes. Saiba mais sobre esse conjunto de doenças, sua real gravidade e como evitá-la.

06 de fevereiro de 2017 • Por Mariana, em Comportamento, Destaques


A obesidade e o sedentarismo causam uma série de malefícios que vão muito além da estética, que é a motivação primordial da maioria de nós, embora jamais admitamos isso publicamente. Existe um conjunto de sintomas que podem causar problemas crônicos de saúde ou mesmo o óbito, chamado de síndrome metabólica.

A diagnose da síndrome metabólica não é simples e precisa de uma criteriosa bateria de exames clínicos para ser desnudada. O texto que você lerá agora tem apenas a função de informar, em linhas gerais e de forma reduzida, o que é, como ela se instala e como tratá-la para que essa síndrome fique sob controle.

Não encare os parágrafos desse texto como a busca pelas causas do problema. A síndrome metabólica é um assunto sério e apenas o seu médico tem a capacidade de fazer a correta avaliação do seu estado de saúde.

 


O que é síndrome metabólica

Uma síndrome é um conjunto de sintomas que podem ser observados e analisados, que possuem causas diferentes e não específicas. No caso da síndrome metabólica, é um conjunto de sintomas que podem evoluir para quadros de doenças arteriais e do coração.

Embora não restritos a esses sintomas, os mais comuns para que se detecte a síndrome metabólica são:

  • Pressão alta.
  • Níveis elevados de triglicerídeos e colesterol.
  • Intolerância à glicose.
  • Níveis de insulina muito altos.
  • Resistência à insulina.


Como se adquire a síndrome metabólica

A culpa, para variar, é de nossos ancestrais. Somos descendentes diretos de Homo sapiens que possuíam maior capacidade de armazenamento de gordura e por isso eram capazes de suportar maiores temporadas de jejum e escassez de alimentos, essenciais na época em que éramos nômades a vagar pela Terra.

O que antes era uma vantagem evolutiva transformou-se em um problema na era sedentária em que vivemos. Continuamos a transformar o que comemos em três nutrientes básicos:

  • Aminoácidos, que derivam das proteínas.
  • Glicose, provenientes do carboidratos.
  • Ácidos graxos, oriundos das gorduras.

A glicose é o combustível mais abundante dentro do organismo, mas há um limite para seu armazenamento. O excesso é transformado em gordura, que geralmente é metabolizada pelo fígado, cuja capacidade é limitada. Por isso, deposita-se esse excesso de gordura sob a pele, ao redor de órgãos, nas nádegas e na região do abdome.

Quando o consumo torna-se maior do que o gasto calórico, as células saturadas de gordura adquirem resistência à insulina, o hormônio que auxilia a transformação da glicose em gordura. O problema é que o pâncreas, alheio a esse combate, continua produzindo insulina.

Enquanto isso, o fígado continua armazenando gordura o quanto pode, transformando os ácidos graxos em triglicerídeos e formando uma “capa de gordura” em volta dele, causando a temida a conhecida esteatose hepática. Graças a essa manta gordurosa, o fígado não consegue mais determinar os níveis de insulina no sangue e injeta glicose na corrente sanguínea.

O pâncreas aumenta a produção de insulina, que não dá mais conta de absorver a glicose em excesso. A glicose, por sua vez, é absorvida pelos tecidos, transformando-a em gordura e criando a chamada intolerância à glicose.

E acredite, os parágrafos acima são um resumo do que acontece.

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O que acontece depois

Todo esse círculo vicioso que culmina com excesso de gorduras e açúcares na corrente sanguínea, nos tecidos musculares e nos órgãos transforma os nutrientes em compostos tóxicos ao organismo. Acompanhe.

  • Os níveis de colesterol de baixa densidade, o tipo ruim, e de triglicérides aumentam. Ambos causam entupimento das artérias.
  • As taxas de glicose sobem, causando a diabetes tipo II.
  • Os níveis de insulina altos fazem com que o sangue coagule mais rápido. Isso pode causar coágulos que podem evoluir para quadros de infarto e derrame cerebral.
  • O excesso de insulina ainda causa aumento da pressão arterial.
  • Ato contínuo, rins, artérias, fígado e demais órgãos nobres começam a ter disfunções.


Os fatores de risco

A síndrome metabólica, que quando foi descoberta como tal na década de 1970 foi chamada de “síndrome X”, necessita de diversos exames clínicos e laboratoriais para ser devidamente aferida. Os médicos geralmente associam alguns fatores que serão descritos abaixo:

  1. Hipertensão.
  2. Dores no peito e infarto.
  3. Histórico de diabetes na família.
  4. Excesso de gordura abdominal.
  5. Dislipidemia (níveis altos de colesterol e triglicerídeos)


Como tratar a síndrome metabólica?

O médico, e apenas ele, poderá dar o tratamento correto a cada caso apresentado, pois a síndrome metabólica não é uma doença com causa única. Contudo, algumas providências são prescritas com muita frequência e serão passadas aqui a título de informação.

Pratique atividades físicas. Promover um gasto calórico maior do que o consumo é uma atitude simples e que pode ser posta em prática pela maioria das pessoas.

Cuidado com a alimentação. Diminuir a ingestão de gorduras e açúcares e incluir alimentos reconhecidamente funcionais na dieta é a maneira mais acessível de manter os nutrientes sob controle. Peça ajuda a um nutricionista.

Elimine o estresse. Deixar de produzir cortisol e adrenalina também ajuda muito, pois quando o corpo mantém-se em estado de alerta permanente a pressão arterial aumenta.

Os médicos também podem receitar medicamentos que auxiliam o tratamento de várias patologias ligadas à síndrome metabólica, como o ácido acetilsalicílico, mais conhecido como AAS ou aspirina, que deixa o sangue menos viscoso (ou como se diz popularmente, “afina o sangue”) e as estatinas, que reduzem a produção do colesterol ruim pelo fígado. A estatina mais receitada é a sinvastatina, disponível na rede pública de saúde.

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