“Só quero ficar bem de novo”

A baixa autoestima e o sofrimento pessoal podem influir no peso de uma pessoa? Leia a história corajosa de uma de nossas leitoras, que pediu anonimato, e constate como a vida pode nos levar a buscar alívio fácil na comida.

31 de julho de 2013 • Por Mariana, em Depoimentos Reais


Recebo muitos e-mails, tuítes e mensagens pelas demais redes sociais, e a imensa maioria é de perguntas sobre os textos, juntamente com agradecimentos e críticas sempre bem vindas.

Contudo, uma leitora em particular mandou para o blog uma história de vida que exemplifica, de maneira um pouco mais dura do que a habitual, como a alimentação desregrada pode ser o único porto seguro de uma pessoa. Com a permissão dela, e com a condição do anonimato, transcrevo aqui (devidamente editado, como sugerido) a história dela.

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O início

“Querida Mari,

Posso dizer que tudo começou, literalmente, quando nasci. Vim ao mundo após uma gestação de quase 11 meses, um caso raríssimo, graças a um pré-natal que beirou à completa incompetência. Os remédios receitados para a minha mãe para que ela me retivesse no útero causaram a calcificação da placenta, dificultado a gravidez dela.

Os outros médicos pelos quais minha mãe passou foram unânimes: o parto seria difícil e eu sobrevivesse a ele, eu vegetaria. Graças a Deus, as previsões pessimistas não se concretizaram e eu nasci com minhas faculdade mantais e físicas intactas.

Contudo, a gestação posterior cobrou um preço: me tornei uma criança frágil, era a menor em tamanho entre meus 4 irmãos. Até meus 12 anos fui muito magra, tanto que meu apelido na época da escola era Olívia Palito. Tive que fazer um tratamento para crescer e obtive sucesso.

Os primeiros percalços

Meus pais se separaram quando eu tinha 12 anos e a família se dividiu. Meus quatro irmãos foram morar com meu pai e eu, por escolha, acompanhei minha mãe, uma mulher maravilhosa, mas cujas obrigações profissionais faziam com que ela se tornasse um tanto quanto ausente.

Nessa época, veio a depressão e ela me fez comer para compensar com calorias a solidão e e a tristeza. Isso intensificou-se quando eu tive que morar com meu pai. Ele era um homem rude e pouco amigável, e para piorar, casou-se com uma mulher que não disfarçava o quanto desgostava de mim e de meus irmãos. Ela tornou minha vida um inferno.

Meus momentos de refúgio eram as caixas de bombom que comia escondida.

O primeiro grande trauma

Anos mais tarde, fui visitar minha irmã que tinha casado e ido morar em outra localidade. Quando lá cheguei, uma festa estava acontecendo. Como sempre fui muito tímida, fiquei em um canto quietam, sem beber.

Isso não impediu a abordagem de um homem que veio com um copo de vinho na mão, me oferecendo. Recusei, sem graça, mas ele foi insistente e acabei cedendo. Foi um dos maiores erros que cometi.

Após dois goles, comecei a ficar zonza e desmaiei. Descobri mais tarde que me deram o golpe chamado de “boa noite Cinderela” Acordei sem me lembrar de nada, mas nua, em um local ermo. Aos 17 anos, sem ter tido sequer meu primeiro beijo, fui violentada.

Muito envergonhada, voltei para casa e meu primeiro impulso foi tomar duas latas de leite condensado, entre lágrimas amargas, como se aquele doce fosse resolver meus problemas.

Num belo dia, comecei a passar mal, muito mal, e imaginei que a cause fosse os excessos alimentares. Quando fui ao médico, ele me examinou e, para meu espanto, disse que eu estava grávida.

Ao saber disso, meu pai me expulsou de casa. Sem ter onde ir, acabei acreditando na lábia de um rapaz que disse me amar e não se importar com o fato de eu estar grávida. No início ele realmente pareceu ser a tábua de salvação, pois aparentava ser carinhoso e amoroso.

carregando…

Mal sabia eu que eu iria passar por mais provações.

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O segundo grande trauma

Em pouco tempo, o homem que tinha me acolhido mostrou suas garras. Ele era agressivo e me agredia com palavras e atos que acabaram com minha autoestima. Sempre que uma briga acontecia, me refugiava na comida entre soluços de choro. Engordei 30 quilos durante a gestação e minha gravidez tornou-se de alto risco.

Quando chegou a hora de ter o bebê, eis que o destino prega mais uma peça: a criança era negra. Eu e o homem com quem vivia éramos brancos e o nascimento de uma criança negra gerou as inevitáveis fofocas, além do aumento dos maus tratos do homem com quem vivia.

Por conta disso ( e não me orgulho nem um pouco do que vou confessar), descontei todas as minhas frustrações em meu pobre filho.

As grandes decepções

Quando meu filho, que apesar de tudo era uma criança boa e tranquila, completou dois anos, descobri o motivo pelo qual o homem com quem vivia me maltratava, e da pior maneira possível: eu o peguei na cama com outro homem. Isso mesmo, HOMEM. Para esconder da família e da sociedade que era gay, ele me usou e acabou com minha vida.

Terminei meu relacionamento com ele, peguei meu filho, algumas roupas e a coragem vinda não sei de onde e fui para outro estado. Durante um ano, cuidando apenas de mim e de meu filho, consegui emagrecer, já que o trabalho e minhas atividades não me permitiam ter pensamentos depressivos.

Foi quando conheci outro homem, um taxista, que foi chegando devagar em minha vida e foi me conquistando aos poucos. Acho que nos entendíamos porque ele também vinha de uma união que não deu certo.

Começamos a namorar e estávamos para casar depois de quatro anos. Eu estava bem, magra e feliz. Infelizmente, descobri graças a um flagra que ele ainda se encontrava com a ex-mulher. Meu mundo caiu mais uma vez e mais uma vez encontrei na comida uma muleta que me acolhia. Infelizmente nesse processo engordei mais de 10 quilos em seis meses.

Voltei para a casa de minha mãe, e o que era uma muleta tornou-se um vício. Doces, chocolates e comidas gordurosas acrescentaram mais 15 quilos à minha silhueta.

Hoje, estou com outro homem, totalmente sem amarras ou problemas e iremos nos casar no civil em dezembro. Sou feliz, enfim, mas gostaria muito de perder os 25 quilos que ganhei durante minha atribulada vida. É por isso que busco na internet e especialmente em seu blog, Mari, informações para alcançar minha meta.

Amo minha vida, só quero ficar bem de novo.

Obrigada pela atenção. “

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Este site site não é farmácia ou consultório médico. Não brinque com sua saúde. Não se automedique. Consulte seu médico, e não confie no que ler na Internet, nem mesmo neste site.

1 comentário

  • Karina Costa • 01/08/2013

    Estou perplexa! Essa mulher é uma guerreira! Depois de tantas coisas ruins ela ainda tem esperança. O depoimento dela me marcou muito. Hoje vejo que os motivos que baixaram minha auto-estima podem sim ser superados. Gostaria de um dia ser mais equilibrada emocionalmente e depois de ler este texto acredito que tudo é possível se eu tiver esperança! Bjs

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